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Edição de sexta-feira , 18 de outubro de 2019.

Menina de 11 anos, grávida por estupro, passa por cesárea, em vez de aborto



Reprodução/ Facebook > Revista Crescer (Editora Globo)

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Ativistas protestam contra a demora para interromper a gestação . "Cesárea não é ILE", diz o cartaz. ILE é a sigla usada para Interrupción Legal del Embarazo, que significa "Interrupção Legal da Gravidez", prevista na lei argentina em casos extremos.

Uma pré adolescente de 11 anos passou por uma cesárea, em vez de um aborto, na província de Tucumán, na Argentina. A cirurgia, que aconteceu sem a autorização da mãe da garota, foi realizada nesta quarta-feira (27). De acordo com a ginecologista Cecilia Ousset, a cesárea foi necessária porque o corpo da menina - que tem sido chamada pelo nome fictício de Lucia pela imprensa local, para preservar sua identidade - ainda não estava completamente desenvolvido.

"Via vaginal não era possível. O corpo dela não estava suficientemente desenvolvido para uma gravidez de 23 semanas e, mesmo que estivesse, ela não estava pronta psicologicamente, dados os abusos que sofreu", disse a médica, em entrevista à TV TN.

Segundo a imprensa argentina, a menina estava sofrendo com pré-eclâmpsia e já havia tentado cometer suicídio duas vezes. O caso comoveu a Argentina e reacendeu o protesto de grupos pró-aborto. Grupos foram protestar diante do Hospital Eva Perón.

Lucia, que morava com a avó há seis anos, foi estuprada pelo marido dela e a gravidez foi detectada por volta da 19ª semana. A mãe da garota, então, entrou com um pedido para o aborto, que é legal no país em casos de estupro ou quando a vida da gestante está em risco - a situação se enquadrava em ambos.

A "ILE", que é a interrupção imediata da gravidez, poderia ter sido feita imediatamente, segundo a lei em vigor no país. "Tirem da minha barriga o que o velho colocou", disse à menina em seu depoimento a um juiz de Direito.

No entanto, a Justiça argentina demorou até a 23ª semana para liberar a autorização. Segundo grupos de ativistas pró-aborto, isso acontece, muitas vezes, para que a gestação chegue a um ponto em que a interrupção legal não seja mais possível e que a vida do feto fora do útero se torne viável.

"O Estado é responsável por torturar Lucia", protestou uma porta-voz da #NiUnaMenos, uma das organizações feministas que lutam pela legalização do aborto.

Quando a família conseguiu a autorização para o procedimento, na terça-feira (26), os médicos, anestesistas e enfermeiros se recusaram a executá-lo, alegando "objeção de consciência" e “riscos corpóreos da pré-adolescente”. A opção foi, então, realizar a cesárea.

O bebê foi retirado vivo do útero de Lucia e colocado em uma incubadora neonatal, em estado grave. Segundo os médicos, é pouco provável que sobreviva. Amostras de material genético do cordão umbilical e da placenta foram coletadas para análise do DNA. Os resultados confirmaram a identidade do estuprador, que está preso.

Não foram divulgadas informações sobre o estado de saúde e psicológico de Lucia.


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