Ir para o conteúdo principal

Edição de sexta-feira , 21 de dezembro de 2018.

“Maria chuteira” e “maria gasolina” são ofensas que ensejam demissão por justa causa



Publicar ofensas a colegas de trabalho nas redes sociais configura ato lesivo à honra, sendo motivo suficiente para despedida por justa causa. Com esse fundamento, a 1ª Câmara do TRT da 12ª Região (SC) manteve sentença que reconheceu a validade de uma dispensa por justa causa, aplicada pela empresa. Não há trânsito em julgado.

O caso começou quando um trabalhador da Viqua Indústria de Plásticos Ltda. foi demitido por justa causa por ter publicado em sua rede social comentários ofensivos contra colegas de trabalho. O empregado considerou sua dispensa ilegal e ingressou com ação pedindo a condenação da empresa ao pagamento de verbas rescisórias.

Afirmou que a mensagem foi publicada de forma privada e que somente seus amigos tiveram acesso ao conteúdo. Alegou ainda que a dispensa ocorreu por outro motivo, pois era tratado com rigor excessivo pelo superior hierárquico.

Na defesa, a empresa negou o tratamento rigoroso e afirmou que tomou conhecimento dos comentários ofensivos postados pelo trabalhador porque alguns de seus funcionários estavam indignados - fornecedores e clientes, inclusive, haviam tomado ciência do ocorrido e pedido esclarecimentos. Segundo a empresa, portanto, foi a atitude do próprio autor que gerou a rescisão contratual.

Na sentença, a juíza Patricia Andrades Gameiro Hofstaetter, da 4ª Vara do Trabalho de Joinville, confirmou a licitude da justa causa aplicada pelo empregador. Assinalou que os documentos apresentados pela ré, à qual cabia o ônus da prova, comprovaram que o autor praticou ato lesivo à honra ou à boa fama contra empregadas da empresa nas redes sociais.

“Embora o autor não tenha dito palavras de baixo calão, ele fez diversos comentários, chamando as empregadas da Viqua de 'maria gasolina' e 'maria chuteira'”, verificou a magistrada, salientando que o fato das ofensas não terem sido realizadas no local de trabalho não altera a situação, em razão da grande repercussão dos comentários.

Pelo Dicionário Informal Brasileiro, maria chuteira é “aquela que gosta somente de jogador de futebol”. E maria gasolina é “aquela que só sai com quem tem carro”.

Ao recorrer da sentença, o autor sustentou a pretensão de que “o ato lesivo à honra é apenas aquele praticado no ambiente de trabalho” e que “os comentários ocorreram fora desse local”. No entanto, o relator do processo, desembargador Wanderley Godoy Junior, manteve a decisão de primeiro grau com fundamento no art. 482, alínea j, da CLT, dispositivo segundo o qual a justa causa pode ser aplicada nesses casos.

Ficou demonstrado que, ainda que o reclamante tenha enviado as mensagens ofensivas a colegas de trabalho fora do período de sua jornada de trabalho, longe do local de trabalho, tais mensagens chegaram, repercutiram, no ambiente de trabalho, o que caracteriza a prática de ato lesivo à honra e à boa fama de suas colegas de trabalho no serviço”, concluiu o relator. (Proc. nº 0000755-17.2016.5.12.0030 – com informações do TRT-12 e da redação do Espaço Vital).


Comentários

Banner publicitário

Notícias Relacionadas

Raphael G. Faria

   Grande cadeia de lojas enganava seus clientes

 

Grande cadeia de lojas enganava seus clientes

A Via Varejo S.A. (grupo que inclui Casas Bahia e Ponto Frio) exigia que os vendedores praticassem o “Embutec”: a inclusão, no preço do produto, de garantia estendida, seguro em caso de desemprego e seguro de vida, mesmo que o consumidor não quisesse.

Arte de Camila Adamoli

TST reconhece relação de emprego entre “advogado associado” e dois escritórios de Porto Alegre

 

TST reconhece relação de emprego entre “advogado associado” e dois escritórios de Porto Alegre

Julgado superior avaliou que “o contrato de associação firmado serviu de mero instrumento formal para mascarar uma relação de emprego”.  Decisão envolve seis anos e quatro meses, determinando o pagamento de horas extras além da 40ª semanal, 13º salário, aviso prévio, férias e depósitos do FGTS. Condenação fica próxima de R$ 200 mil.

Tarefas macabras na jornada de trabalho de vigilante

TST manda a empresa Power Segurança – terceirizada na prestação de serviços à Cia. Paulista de Trens Urbanos – indenizar trabalhador que, em desvio de função, era obrigado a remover cadáveres e vítimas de acidentes nos trilhos.

Bullying em loja da rede Walmart

“Obesa, elefoa, gorda”. Empregada com depressão agravada devido aos constrangimentos e humilhações será indenizada.