Ir para o conteúdo principal

Edição de terça-feira , 18 de dezembro de 2018.

Cármen Lúcia diz que “sociedade brasileira é machista, preconceituosa e violenta”



Durante a cerimônia de abertura da 12ª Jornada Maria da Penha, ontem (9), em Brasília, a presidente do CNJ e do STF, ministra Cármen Lúcia, alertou para o aumento no número de casos de assassinatos de mulheres vítimas de feminicídio no país.

Para a ministra, apesar da Lei nº 11.340/2006 (Lei Maria da Penha) ter modificado substancialmente o tratamento da violência contra a mulher, ainda falta descobrir as motivações desses crimes, que seguem causando milhares de vítimas unicamente por questões de gênero. Atualmente, tramitam no Judiciário brasileiro 10 mil processos de feminicídio.

“A violência contra a mulher não pode ficar em silêncio. O silêncio permite que a violência prossiga. Precisamos nos voltar para esse crime. A violência contra a mulher expõe uma sociedade machista, preconceituosa, agressiva. Violenta com suas crianças, com suas mulheres e com todos aqueles que sejam diferentes. Precisamos mudar para um patamar civilizatório de respeito aos direitos, de maneira contínua, coerente e necessária para que tenhamos democracia na sociedade e não apenas no Estado. Caso contrário, não sabemos onde iremos parar”, afirmou Cármen Lúcia.

A ministra lembrou que a sensibilização e a capacitação dos que lidam com violência doméstica devem ir além das mulheres vítimas, mas também alcançar as crianças, que assistem e participam das cenas de violência. “Nós, mulheres, queremos poder viver de maneira harmoniosa com os homens. Já era tempo de termos isso. É um sofrimento sermos tratadas de maneira desigual apenas por sermos mulheres. E o impacto disso em nossas crianças é terrível” - afirmou a ministra.

Na semana em que a Lei nº 11.340/2006, de combate à violência doméstica, completa 12 anos de existência, o número de mortes de mulheres causada por ódio do próprio companheiro chamou a atenção da ministra. “Espero que tenhamos júris que prestem à sociedade a resposta adequada” – arrematou a ministra.

O chacal feminicida

Acusado de, em Guarapuava (PR), ter assassinado a advogada Tatiane Spitzner, o marido Luiz Felipe Manvailer usava apelidos humilhantes ao se dirigir à esposa. Segundo a denúncia do Ministério Público, ele – em mensagens de celular – empregava, entre outras, a expressão “bosta albina” ao se dirigir à cônjuge.

A denúncia sobre “a prática de todas as formas de violência familiar e doméstica” detalha que o cônjuge “usava de pressão psicológica ao obrigar a mulher a fazer todos os serviços domésticos e não permitir a contratação de uma diarista”.

Em extensa reportagem publicada na quarta-feira (8) com o título “Cenas de abuso doméstico chocam o Brasil”, o jornal The New York Times cita dados de uma sua pesquisa: “Um terço das mulheres brasileiras já sofreram algum tipo de agressão”.

Páginas da vida

Não é só a violência e a discriminação que marcam a violência das pessoas trans. Um levantamento chamado “Pesquisa Divas”, promovido pela Unesco, esquadrinhou 12 capitais brasileiras, incluindo Porto Alegre.

A capital gaúcha é a de maior presença de “pessoas que têm uma identidade de gênero, ou expressão de gênero diferente de seu sexo atribuído” contaminadas com HIV: são 65,3%. E 35,3% têm sífilis.

Os menores números brasileiros são de Curitiba: 19,7% (HIV) e 22,9% (sífilis).

No Rio, todas as trans entrevistadas já foram agredidas – e contra 23% delas os ataques foram com armas de fogo.

Além disso, o professor Francisco Inácio - coordenador da pesquisa executada pela Fundação Osvaldo Cruz - lembra que “é neste tipo de ambiente hostil que as trans procuram pessoas não qualificadas para se tratar e fazer procedimentos estéticos e hormonais”.


Comentários

Banner publicitário

Notícias Relacionadas

Um homem e suas duas mulheres

Divisão de pensão por morte de médico que era servidor público federal. Relações matrimoniais e extraconjugais simultâneas e  duradouras. O homem mantinha seu casamento, mas também provia a manutenção da amante, com quem teve dois filhos.