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Edição de terça-feira , 11 de dezembro de 2018.
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Um projeto para o Internacional



Ao falarmos do clube para o qual torcemos, a conversa mais animada sempre é sobre o futebol. Escala esse ou aquele jogador, contrata para essa aquela posição, muda o técnico, etc. Todos nós queremos as vitórias, os títulos e o alívio de ver o nosso clube do coração disputando os grandes títulos.

Competimos com os nossos parentes, amigos, conhecidos e colegas de outras matizes, pois são eles que nutrem o nosso gosto pela e permanente desforra. A insuportável flauta.

De certa forma isso tem a ver com a nossa formação, claro que com as devidas adequações, pois os jogos eletrônicos de hoje são espetacularmente realistas e incomparáveis com o jogo de botões da minha época. Mas o princípio é o mesmo, pois montávamos e desmontávamos as equipes exclusivamente segundo a nossa vontade.

Os ruins nunca eram escalados.

Também na composição dos times do colégio ou da zona, essa era a regra. Todos eram reunidos e, a partir dos dois melhores ou, o que era pior, do dono da bola ou do campinho, iniciavam as escolhas: “Quero o fulano, quero o beltrano ...”

O constrangimento recaia na chamada rebarba, aqueles que ficavam residualmente por último. Não é por acaso que todos queriam a distinção de jogarem no ataque, ao passo que as posições menos nobres, onde o goleiro era o mais expressivo, eram as últimas a serem preenchidas.

Sem nenhum preconceito, o peso do vivente também influenciava. Eram os gordinhos as vítimas do processo seletivo. Talvez seja essa a explicação para a nossa ideia inflexível quanto a nossa escalação, armação tática e contratações.

É tão forte esse sentimento que poucos de nós dedicam-se à análise dos orçamentos e balanços dos clubes, onde a realidade está estampada. Além disso, não raramente, nos deparamos com projetos mirabolantes para a melhoria das finanças.

No curso do período em que participei da administração do Internacional, me deparei com associados apresentando ideias que consideravam fantásticas. Sempre criativas, embora pouco operacionais. Quase sempre partiam de um pressuposto irreal.

O clube pelo qual torcemos é um dos principais valores na nossa existência. É pura paixão. Imaginavam que a adesão dos torcedores seria avassaladora.

Lembro de um querido amigo, colega de faculdade que insistiu comigo em um encontro em um trailer de lanches situado defronte ao Gigantinho. Lá fui eu. Ele, munido de desenhos, plantas, me revelou o seu projeto: transformar o Gigantinho, com o emprego de efeitos luminosos e sons em uma nave espacial.

A justificativa era óbvia: como fomos campeões do mundo, só nos restava a conquista extraterrestre. Assegurava ele que seria um espetáculo inigualável e que ingressaria no calendário turístico de Porto Alegre, atraindo multidões.

É óbvio que o projeto não foi à frente.

Mas, o que refiro é que sempre há no imaginário a expectativa de que podemos resolver os nossos problemas. É mais ou menos como aquelas propostas, recorrentes na vida dos clubes, de que a torcida pode fazer uma “vaquinha” para comprar ou pagar um determinado jogador. Ressalvo a importância do quadro social e a sua contribuição financeira -, entretanto o arrecadado é irrisório.

Aos sócios pragmaticamente importa o time e não o clube! Justamente por essa razão, quando se aproximam as eleições para a administração, impactam as promessas diretas ou indiretas de conquistas. Como se isso fosse possível sem a arrumação da casa e das contas.

Lembram do grito de guerra “O campeão voltou”, na eleição daquele que nos conduziu para o nosso pior momento no futebol brasileiro?...

E agora, quantos são os sócios que têm ciência da situação financeira do Sport Club Internacional? Ouso afirmar que apenas uma minoria. Desconhecendo-a, não estaria aberto o caminho para mais algum aventureiro ou oportunista?

Tenho claro que o nosso Internacional tem que adotar um choque de realidade e de eficiência. Não é possível continuar administrado com métodos superados. Então, assim como importa o nome do técnico, o pensamento quanto ao futebol, importa e muito como e por quem o clube será administrado. É preciso fazer o que não tem sido feito.

Envolver o associado e o torcedor em uma agenda realista que sirva de base para passos mais grandiosos, devidamente planejados. É preciso dizer que queremos de imediato reconquistar a hegemonia no RS. Depois, então, desejarmos uma vaga na Libertadores. Planejar e articular isso, com a consciência dos atletas e com um ponto final às entrevistas fantasiosas que analisam a derrota na base da ficção.

Espero com relação às eleições do segundo semestre, dois protagonismos imprescindíveis. Primeiro, o dos conselheiros para que superem os ajustes circunstanciais ou casuístas, elevando assim a participação. Em segundo, dos associados, tomando consciência de que o Internacional é deles e a única forma de virar a página da história é virando.

Quanto à Copa da Rússia, adeus Alemanha, nosso carrasco em 2014.


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