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Edição de terça-feira , 11 de dezembro de 2018.
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Sobre o que não podemos falar, devemos calar



Arte EV sobre foto Mercado Livre

Imagem da Matéria

Sem futebol por aqui no Rio Grande do Sul, a Copa do Mundo nos ocupa. A cobertura das rádios e da tevê é bizarra. Repórteres tentam ser engraçados, locutores viram humoristas... Falam, falam e pouco dizem, a não ser obviedades.

Há uma frase famosa de um filósofo Ludwig von Wittgenstein que diz “sobre o que não podemos falar, devemos calar”. Algo como o fator Kiko, amigo do Chaves del Ocho, o Shakespeare mexicano: “Cale-se, cale-se, você me deixa louco!”

Lembro sempre do Kiko quando vejo o Galvão Bueno, o Casagrande e congêneres. E tem o Tiago Leifert, que é um Bozo sem a fantasia. E agora a tevê “democratizou”, trazendo mulheres para o time de analistas. Claro: preconceituosamente, somente belas mulheres.

Será que só as bem bonitas sabem algo sobre futebol? Ou é tudo estética? Não, não respondam. A pergunta é retórica.

No rádio, repete-se o fator Wittgenstein. Fechar espaços com palavras, eis a função e a missão dos locutores, repórteres e comentaristas. Tem um jogador da Alemanha que se chama Mário Gomes. E repórteres e comentaristas não se seguraram: falaram do ator Mário Gomes. E fizeram análises “profundas” sobre o tema. Muita criatividade. Muita. Ohh!

O que mais torna patética a cobertura é a repetição de bobagens e lugares comuns. A emissora de tevê vai à casa de pessoas que enfeitaram a casa de bandeirinhas. Coisa forçada. É como no carnaval, em que o(a) repórter pede para a sambista: dá uma voltinha aí. Muita criatividade. Ohh!

Gosto das metáforas explicadas. Ora, se é alegoria ou metáfora, não pode metaforizar a coisa da qual se fala. Se o repórter quer significar algo a partir de figurações e coisas do gênero, quer dizer que, pela figuração, o assunto fica mais claro. Mas quando clarear a clareação, perde o sentido. Dizer que o time está voando e mostrar um avião ou passarinho...voando, é pensar que o telespectador é um néscio. Bom, se pensarmos bem...

Quanto ao jogo, temos que o SINPOF (sindicato do pontinho fora) e a República do Texas fazem escola na Copa. Muitos times jogam por uma bola. Por aqui, os times “fechadinhos” fazem com que muitos comentaristas fiquem molhadinhos. E quando o “esquema simpofista-texano” dá certo, vem a máxima: “Eu falei. Eu disse. Um time tem de se defender e depois ganhar”.

Bom, na Copa isso até pode ter sentido. Mas em pontos corridos, que eu saiba, três empates valem tanto quanto uma vitória. Simples assim.

Mas, e a CIA – Comentaristas Isentos de Arbitragem? Errar é humano, sempre dizem. E, agora, errar é das máquinas! Pois não é que Diori se superou? Disse que não foi pênalti em Gabriel Jesus. Mais ou menos como os pênaltis contra o Grêmio. Nunca são. Errar é humano. Pois é.

E a avaliação que Leonardo Oliveira (ZH) fez dos jogadores? Goleiro da Suíça, nota 6. O cara fechou o gol e levou nota 6. Putz. Que critério, não?

Ao meio dia de ontem (18) olhei a tevê. Jornal do Almoço. Reportagens sobre a Copa. Constrangedor. Fico imaginando o pobre do repórter, para cobrir meta, dizendo aos alunos das escolas ou transeuntes: “Quando eu disser vibrem, todos gritam Brasil”.

Hum, hum. Será que ensinam essas coisas nas faculdades?


Comentários

Pedro Canabarro Cunha - Militar 20.06.18 | 09:22:10
Professor Lênio, corrigindo para concordar: nos pontos corridos três empates não valem o mesmo que uma vitória: valem menos, já que número de vitórias é critério de desempate. Então 3j1v2d vale mais que 3j3e
Jose Cesar Palacini - Advogado 19.06.18 | 11:37:48

Doutor Lênio, eu queria ter escrito este texto! Parabéns!

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