Ir para o conteúdo principal

Edição de terça-feira, 19 de fevereiro de 2019.

Mulher juíza, não!



Charge Gerson kauer

Imagem da Matéria

Aos 25 de idade, a jovem bacharel em Direito é aprovada em concurso para ingresso na magistratura gaúcha e é designada para uma vara criminal de comarca gaúcha, onde o machismo ainda tem alguns absurdos rompantes.

No início de uma tarde forense - em que estão pautadas 20 audiências para o oferecimento de suspensão condicional dos processos - adentra à sala um homem trintão. Ele está pilchado, botas, bombacha, lenço vermelho, bigode grande, “todo a gaúcho”. Carrega uma sacola de viagem.

A magistrada olha a denúncia: “Crime ambiental, consistente em maus-tratos contra o próprio cavalo de sua propriedade” – e começa a explicar sobre o benefício e suas condições. E esclarece, claro, que não era obrigatória a aceitação.

A juíza percebe, no entanto, que o homem não dá a mínima ao que ela lhe fala. Entrementes, ele procura alguma coisa dentro da sacola. Dela, de repente, retira um laço de couro e o lança em cima da mesa principal.

A magistrada assusta-se com o inesperado e com o barulho da argola batendo na madeira, e, nessa cena tragicômica, ainda tem que escutar – do homem que se ergue da cadeira – uma frase discriminatória: “Eu não aceito uma mulher juíza”.

Estão na sala de audiências, a juíza, a promotora, a defensora pública e a escrevente. Quatro mulheres mudas diante da postura ameaçadora de um homem só.

Há um hiato de cinco ou dez segundos, a magistrada reage com um olhar fulminante, eleva o tom de voz e adverte: ”Ou o senhor aceita uma juíza mulher, ou eu vou lhe prender por desacato à autoridade”.

O homem senta novamente, ?ca alguns instantes em silêncio e responde – meio conformado que – “então eu aceito a juíza mulher”.

Afinal, acordada a proposta de suspensão condicional do processo, o termo é assinado, a audiência é encerrada e o valentão sai. E só então aparece o guarda forense para informar: “Doutora, passei para lhe dizer que esse cara aí não bate muito bem”.

A juíza já aliviada agradece a informação e encerra o caso: “Bem que o senhor poderia ter me dito isso antes”...




Comentários

Banner publicitário

Notícias Relacionadas

Gerson Kauer

Mulher em caução!

 

Mulher em caução!

Astucioso, o homem sai do motel sem pagar a conta. Surge depois a inusitada ação contra uma mulher, 30 de idade, tentando “receber o valor de uma diária, jantar e bebidas e, cumulativamente, uma reparação financeira, mesmo que pequena, para punir a ré pela trapaça civil cometida”

Gerson Kauer

De grosso calibre

 

De grosso calibre

No prédio com vista para o Guaíba, em que atuam lidadores do direito, chega uma caixa com “uma coisa estranha” endereçada a uma das doutoras da casa. Seria um “bilau” de brinquedo? O decano deu a solução na reunião em que participaram as cabeças mais lúcidas da Casa: “Temos que rever nossos conceitos”.

Charge de Gerson Kauer

O namorado do juiz

 

O namorado do juiz

Na comarca de entrância intermediária, um dos juízes é gay. Seu então parceiro é um técnico em informática de uma grande empresa agro comercial. Afinados, os dois homossexuais têm apenas uma única grande diferença: a questão salarial. De repente, há um tombo financeiro.

Chargista Kauer

A “Menina Veneno”

 

A “Menina Veneno”

Bem vivido, bom de bolso graças à consistente aposentadoria recheada de interessantes penduricalhos, o destacado ex-operador jurídico, viúvo, boa pinta -  se é que isso é possível para um cidadão com 70 de idade -  afinal sai com uma moça escultural, bem malhada, 24 anos.  De comum, entre eles, só o Direito.

Charge de Gerson Kauer

  O enterro da sogra que não morreu

 

O enterro da sogra que não morreu

A inusitada abordagem no plantão judicial forense. Como autorizar o funeral de uma provecta idosa, de aparência taciturna, que – como manifestação de última vontade - deseja ser sepultada no sítio em que reside? O texto é de Dirnei Bock Hendler, servidor judicial estadual (RS)

Charge de Gerson Kauer

A fama do João Grande

 

A fama do João Grande

Era uma ação penal contra um homem que estaria ofendendo e ameaçando a ex-esposa. As desavenças ocorriam porque ela postava, nas redes sociais, que o ex-marido vivia sempre na casa do João Grande, famoso na cidade gaúcha por ser bem-dotado.