Ir para o conteúdo principal

Edição de sexta-feira , 14 de dezembro de 2018.

O marido, a esposa e o cunhado



Charge de Gerson Kauer

Imagem da Matéria

Casados havia oito anos, Luis Augusto e Tamara Helena (nomes fictícios) eram jovens ainda, ambos pouco mais de 30 de idade atual, sem filhos. Eles levaram à frente seu matrimônio durante cerca de três milhares de dias de muitas alegrias, poucas tristezas, mas lento declínio da temperatura. 

De classe média alta, ambos com diploma superior, conheceram-se, na mesma universidade. Trabalhavam em duas empresas diferentes, cada um tinha o seu automóvel e residiam num belo apartamento de interessante cidade da região metropolitana de Porto Alegre.

O casamento seguia remoído no tédio do televisor ligado, a conversa só sobre problemas no trabalho, a safadeza de políticos brasileiros e pouca intimidade conjugal profunda. E cada manhã era a rotina de dois beijinhos frios, trocados na garagem, antes que se afastassem, saindo para lados diferentes.

Os amigos mais chegados contam que Tamara ainda amava Luis, mas o casamento se despedaçava já então por causa da (desconhecida) epidérmica presença de uma terceira pessoa. Foi nessa conjunção que Luis, de voz baixa, cabisbaixo, foi formal com Tamara, após o jantar caseiro de um sábado.

- Já deves ter sentido que nosso casamento acabou, por isso estou indo embora amanhã de manhã.

Incrédula, Tamara questionou e assim propiciou que o diálogo rápido evoluísse:

- Por que esta decisão?

- Sou homossexual!

- Luis, não posso acreditar...

- Pois precisas acreditar. Amo um homem e já montamos um apartamento em Porto Alegre, onde moraremos juntos a partir de amanhã.

- E quem é este homem?

- Teu irmão, o Miguel!

Não é difícil imaginar que a cena, no lar que se desfazia, tenha sido composta, também, por uma unilateral crise de choro.

A surpreendente revelação que resultou na história aí de cima foi feita por Tamara, diante do juiz da Vara de Família, quando este – ao receber os ex-cônjuges para a audiência de divórcio consensual – protocolarmente perguntou sobre a possibilidade de reconciliação.

Luis manteve-se calado e Tamara concretizou no arremate, em uma frase, a dureza das páginas da vida:

- Impossível doutor, pois no mesmo dia eu me transformei, de fiel esposa, em cunhada do Luis. E isso é irreconciliável.

Tamara assinou o termo e chorosa, pedindo desculpas, saiu porta afora da sala de audiências.


Comentários

Banner publicitário

Notícias Relacionadas

Charge de Gerson Kauer

A fama do João Grande

 

A fama do João Grande

Era uma ação penal contra um homem que estaria ofendendo e ameaçando a ex-esposa. As desavenças ocorriam porque ela postava, nas redes sociais, que o ex-marido vivia sempre na casa do João Grande, famoso na cidade gaúcha por ser bem-dotado.

Charge de Gerson Kauer

O gaúcho caloteiro

 

O gaúcho caloteiro

A difícil intimação de um fazendeiro, já conhecido no meio forense, como o Senhor Caloteiro. O êxito da diligência só acontece porque, no esconderijo, o devedor é acometido de coceira causada por urtiga.

Charge de Gerson Kauer

   A experiência dos velhinhos

 

A experiência dos velhinhos

Segundo a cartilha do banco, os saques mínimos no atendimento presencial seriam de R$ 200. Saiba como a idosa senhora - mãe de um advogado e avó de um estagiário do tribunal - convenceu o caixa de que ela tinha direito líquido e certo a sacar apenas R$ 50.

Charge de Gerson Kauer

Quando o suposto amor vira negócio

 

Quando o suposto amor vira negócio

O cliente, à hora da saída do motel, acelera o carro, derruba a cancela e se vai em desabalada fuga. Saiba porque, em Juízo, o tresloucado gesto do homem comove o juiz e obtém simpatia do dono do estabelecimento de hospedagem.

Gerson Kauer

Perfume de segunda categoria

 

Perfume de segunda categoria

Após presidir a audiência de ação penal relativa a roubo à mão armada ocorrido em uma loja de perfumes, o elegante juiz é surpreendido com a pergunta desferida pela vítima: “Doutor, o senhor tem compromisso para hoje à noite?

Gerson Kauer

Casa de marimbondos

 

Casa de marimbondos

Após a vã tentativa de avaliar uma velha colheitadeira penhorada, o oficial de justiça certifica em minúcias: “Não pude me aproximar da máquina, pois na parte interna do teto da cabine tem uma casa de marimbondos do tamanho de uma caçamba de pampa, tendo este servidor medo de levar múltiplas ferroadas”.