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Edição de quinta-feira ,14 de novembro de 2019.

Pedidos advocatícios a Papai Noel



Contador de causos

Charge de Gerson Kauer

Imagem da Matéria

Por Rafael Berthold,
advogado (OAB-RS nº 62.120)

 
O presidente da OAB chega à instituição, seguindo diretamente ao seu gabinete. Ele ainda se acomoda quando a secretária, face ruborizada, adentra o recinto:
 
Doutor, aí fora o aguarda um sujeito que diz ser o Papai Noel.
 
– Pois diga a ele que, no momento, não temos nenhum projeto social que necessite de imitadores de Papai Noel.

 
Não, doutor! Ele diz ser o próprio Papai Noel e que tem um assunto oficial para tratar com a OAB! – responde, angustiada, a secretária.
 
– Se você não tem competência para despachar qualquer maluco que entre aqui fantasiado, deixe que eu mesmo o faço. Mande-o entrar.
 
Em seguida, adentra na sala o “bom velhinho”. O presidente nem consegue começar a falar, pois Noel está indignado e já sai desferindo o primeiro ataque:
 
Escute aqui! Vocês, advogados, vão acabar com o Natal, está me ouvindo? Vão acabar com o Natal!
 
O presidente começa a rir e já se prepara para retrucar, quando o pretenso impostor estala os dedos e uma imensa lista flutuante simplesmente se materializa diante de ambos. A partir de então, o dirigente da Ordem compreende que seu interlocutor é genuíno;  e Noel, percebendo isso, coloca-se a argumentar:
 
Eu já atendo aos pedidos de todas as crianças do mundo! Mas veja a lista de presentes que os advogados me mandam todos os anos; são pedidos difíceis de atender e, além disso, eu acho que não são de minha alçada. Outra coisa: o que os advogados pedem se mistura com o que vem das crianças. Então, o duende que faz a triagem já está ficando louco! Disse que não trabalhará mais nessas condições!
 
O chefe da Ordem, então, olha a lista e encontra pedidos como: "Querido Papai Noel, neste Natal, como em vários anteriores, solicito que magistrados deixem de fixar honorários sucumbenciais irrisórios; que conciliadores não sejam postos a presidir audiências de instrução e julgamento; que juízes não se recusem a receber advogados em seus gabinetes; que a agência bancária do Foro Central encontre uma forma ágil e digna de nos atender; que se pense onde os advogados irão estacionar seus carros, antes de se sair construindo Foros Regionais; que a Justiça seja ágil; que as sentenças sejam proferidas com brevidade (...)".
 
A lista quilométrica segue nesta linha. Mas o presidente da OAB - advogado astuto que é - resolve fazer da circunstância uma oportunidade, pois bem conhece as reivindicações de sua classe:
 
Mas e se o senhor atendesse a todos esses pedidos? Os advogados não parariam de importuná-lo?
 
– Creio que sim, mas os senhores estão me confundindo: eu não sou Deus, sou Papai Noel. Eu trago presentes lá do Polo Norte em meu grande saco. Agora, diga-me, como vou colocar todas essas situações em meu saco?

 
– Bem, neste ponto terei que concordar. De fato, situações como essas, não há saco que aguente - arremata o presidente.

rafael@seb.adv.br

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