Juiz federal viraliza por conduzir audiências com leveza e humanidade - Espaço Vital
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Juiz federal viraliza por conduzir audiências com leveza e humanidade

Imagem: Revista Forúm
Juiz federal viraliza por conduzir audiências com leveza e humanidade

Circunstâncias diametralmente opostas às da juíza do Trabalho de Xanxerê (SC) que, em audiência, grita com a testemunha, exige ser chamada de “Vossa Excelência”, e constrange pessoas. Com contornos de gentileza e descontração, esta é a bonita história de um juiz federal alagoano que tem viralizado nas redes sociais pelo modo bem-humorado como ele conduz as audiências. Poderia servir de exemplo para muitos...

Kleiton Ferreira nasceu em Arapiraca, agreste de Alagoas, mas atua no Estado de Sergipe. No Instagram, ele compartilha seu conteúdo para mais de 200 mil seguidores. O magistrado fala sobre assuntos sérios com linguagem simples e bem-humorada e assim tem conquistado novos seguidores. Os vídeos compartilhados mostram trechos das audiências, onde Kleiton brinca para deixar todos confortáveis.

Em um desses momentos, o juiz alagoano questiona a aposentadoria negada pelo INSS a um homem que trabalhou a vida toda na roça, mas tem em seu histórico o trabalho como jogador de futebol profissional. "É disso que se trata o processo, muitas vezes reduzido a um número. Mas não é só um número, é a vida de alguém, a experiência de outro, os esforços de uma advogada ou de um advogado, dos servidores da Justiça, das partes, e de testemunhas", conta em uma publicação.

Um outro vídeo mostra um trecho de uma audiência que tratava sobre a concessão de pensão a uma senhora. O juiz elogiou os óculos que ela estava usando: “Estilosos esses óculos da senhora, viu? Está parecendo uma daquelas artistas de cinema". Durante toda a audiência, o juiz ouviu atentamente a senhora, fez perguntas descontraídas e mostrou empatia com a viúva.

Na redes sociais Kleiton conta o que é preciso para ser um bom juiz. "Não existe glamour em ser um juiz, em ser uma autoridade. Não existe poder que possa fazer você se tornar alguém respeitado pelas pessoas, se você não conseguir entender que você é só mais um, igual a todos". Além de juiz federal, Kleiton é escritor e tem nove livros publicados.

Para ele, a escrita e o direito estão conectados: “Eu amo o que faço. Não deixo por nada. Ser juiz e ser escritor. Um complementa o outro. Nas audiências, ouço histórias de vida, lapido e as reproduzo nas estórias que invento, nos romances. Um alimenta o outro" - postou.

No Instagram, Kleiton compartilha com os seguidores as dificuldades pelas quais passou até ser aprovado no concurso para juiz federal. A diversidade é grande. Ele já tentou vestibular para medicina, foi entregador de móveis, passou no concurso dos Correios e até cursou Biologia.

Na lista, tem também o trabalho como advogado tributarista. "Foram 10 anos, sendo que nos seis primeiros eu vivi muito bem, muito feliz. Mas uma inquietação me fez perceber que, para eu ter segurança, eu precisava de um concurso público".

Kleiton fala abertamente sobre os problemas que enfrentou enquanto era "concurseiro". Teve que lidar com dificuldades financeiras, questões familiares e um vício causado pela ânsia de ser aprovado. "Nessa época, eu me viciei em Ritalina. Isso causou um problema muito grande. Você não faz ideia do que um remédio pode causar na pessoa, a dependência química e até o estado de pensamentos suicidas".

Kleiton passou cinco anos estudando para concursos, até que foi aprovado para o TRF da 2ª Região, quando atuou no Rio de Janeiro. Posteriormente, ele conseguiu transferência para o TRF da 5ª Região, quando trabalhou na Paraíba antes de atuar como juiz substituto na 9ª Vara Federal em Propriá, Sergipe.