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Porto Alegre (RS), sexta-feira, 27 de novembro de 2020.
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Reuniões virtuais e o dano colateral



Imagens: Freepik - Montagem: Gerson Kauer

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PONTO UM:

Invertendo a ordem do tema, primeiro é preciso explicar melhor o sentido da expressão dano colateral, ou, pelo menos, como ela está sendo usada neste texto. A definição mais clássica aponta para o dano causado a objetos ou pessoas diferentes do alvo pretendido, termo muito utilizado nos meios militares, na vã tentativa de justificar o que não é justificável: a destruição de alvos civis, entre outros.

Mas a expressão ganhou força própria, escapando da área militar, e hoje vem sendo utilizada em diversos setores, a exemplo, na propaganda eleitoral e como inspiração na literatura e no cinema, com a produção de interessante thrillers. É nesse sentido mais amplo que aqui se está manejando a expressão, que já caiu no domínio público com ampla utilização. Ao fim e ao cabo, a assimilação do dano colateral é uma forma de justificar ou aceitar um prejuízo considerado menor em nome de uma vantagem maior, o que sempre comporta juízos de valor não necessariamente universais.

PONTO DOIS:

A proliferação das reuniões virtuais – lives, congressos, painéis, reuniões de trabalho, sessões de julgamento, etc., etc., etc. – foi, mais que uma opção, o único caminho – e, portanto, pura necessidade – de que se valeram instituições e pessoas neste ano pandêmico, reagindo, positivamente, à crise até para que o mundo não parasse.

Uma das áreas que muito se valeu dessas ferramentas foi a área jurídica. Tribunais, entidades civis, universidades, escritórios, advogados e clientes passaram a se reunir em plataformas virtuais, literalmente “tocando a vida e o trabalho”. Cito, como exemplo, os inúmeros congressos e eventos no âmbito do Direito Eleitoral, que se multiplicam neste ano de eleições, principalmente no primeiro semestre, preparando e antecipando discussões sobre pontos que serão objeto de polêmicas no curso das eleições.

Essas reuniões virtuais – que vieram para ficar, não tenho dúvidas – alcançam vantagens significativas, especialmente quanto à questão do custo financeiro (congresso presencial sai caro e é de difícil retorno) e da logística: palestrantes ou painelistas conseguem participar de eventos, na parte da tarde, na Bahia e, à noite, de eventos acontecendo em Santa Catarina, por exemplo.

Mas reuniões virtuais também contam com dano colateral. Um deles, amplamente noticiado, se deu, em maio deste ano, durante videoconferência com Bolsonaro quando um empresário, que participava da reunião, apareceu tomando banho, fazendo com que o ministro Guedes reagisse: “Tem um peladão aí”!

No mês de julho, foi a vez de um procurador de Justiça, no Estado de Paraíba, simplesmente flagrado dormindo durante a sessão de julgamento, enquanto o advogado fazia sua sustentação oral. Agora, mais recentemente, semana passada (22/10) quem protagonizou o ridículo foi o ministro Néfi Cordeiro, do STJ, que durante uma sessão do tribunal, mais atento ao seu celular do que ao que o colega estava expondo, levantou-se e deixou-se flagrar de cuecas, porque a toga só ia até sua cintura. Danos colaterais das reuniões virtuais. Mas, pelo menos, aqui a culpa fica bem caracterizada: certamente é do botãozinho que tem a função de desligar a câmara e que não foi acionado.

Senhores da informática: corrijam essa insuficiência do sistema para que não haja mais danos colaterais.


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