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Porto Alegre (RS), sexta-feira, 25 de setembro de 2020.
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Manual do Ponto G do Grêmio: obediência cega à direção e não criticar Renato



Imagens Visual Hunt - Montagem de Gerson Kauer

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O que me levou a elaborar estas reflexões ludoepistêmicas foi uma frase do querido parceiro de WhatsApp Ilgo Winck, a qual – a frase - representa a fina flor do chapabranquismo: “Vitória na Bahia alivia os gremistas e frustra secadores”.

Pronto. O chapa-branca (CB) gremista não é uma pessoa. É um conceito. É uma espécie de IVI azul. Faz a mesma função. Assim como a IVI protege o Inter de qualquer intempérie, o chapabranquismo protege o Grêmio. Mas com mais eficiência. O CB age como o membro do Partido na antiga Alemanha Oriental, que cantava o hino com o estribilho “Die Partei ist immer recht” (O partido está sempre certo). O partido nunca erra.

Daí o primeiro requisito para ser um eficiente CB: obediência cega à direção do Grêmio e não criticar Renato.

Segundo: você pode ser um CB do B, isto é, mais que CB da direção, pode ser o CBR, o chapa-branca renatista, que é bem mais radical. Digamos que será um CBR (chapa-branca raiz). Se Renato erra, põe a culpa na direção.

Terceiro: Renato nunca erra, porque Renato é extensão do clube (espécie de correia de transmissão do partido): Renato é o próprio “Partei”. Atira a flecha e depois pinta o alvo. Pode escalar Bressan, insistir com cascudos, não gostar de alguns jogadores como Jean Pierre, descansar à vontade, indicar André, insistir com André, indicar Thiago Neves, insistir com Thiago Neves, desdenhar do Brasileirão e...tudo bem. O “Partei” sempre está certo.

Quarto: tenha sempre uma frase de efeito pronta, tipo “Você não é um gremista autêntico”.

Quinto: seja como aquele ministro do STF, ou seja, um iluminista do futebol. Mostre, ilumine o caminho para nós, a plebe rude e ignara que ousa criticar os erros da direção e D’ele (o secretário-geral do Partei, Renato), o que é e como deve “ser um gremista de verdade”. Raiz! Diga aos que querem o Brasileirão, e/ou aos que dizem que não se deve poupar, que eles são revisionistas, e que têm de fazer autocrítica. Exemplos de revisionistas: Ricardo Wortmann, Lenio Streck, Léo Carrion, entre outros dissidentes do “regime”. Agora um novo revisionista: Fábio Rigo, quem postou no Twitter que “o Grêmio busca no mercado atacante com idade entre 36-38 anos com salário na casa dos 500 e será titular absoluto. Não será substituído nunca. Usará oxigênio no intervalo. Contrato de 5 anos. Informei”. Bem-vindo, Fábio. Você já não é um GA (gremista autêntico).

Sexto: o CB, autoproclamado gremista raiz, tem de escrever coisas duras contra os dissidentes. Tem de deixar bem claro a diferença entre o que é ser torcedor raiz (ele, o CB) e o nutela (os que criticam o chapabranquismo). Tem de dividir a torcida entre “autênticos” e “não autênticos”. Os que querem o Brasileirão e são contra a poupação devem ser marcados na paleta.

Sétimo: como no filme 1984, do livro de Orwell, o CB evidente tem de acreditar que, onde se mostra quatro dedos, vê-se cinco. Isto é, tem de acreditar no que diz, mesmo contra as evidências. Ou seja: o verdadeiro gremista não critica Renato, nem a direção.

Oitavo: como corolário do sétimo ponto, temos que  o CB tem a crença de, por ser torcedor autêntico, ludo-iluminista, só ele torce; os outros são torcedores ad hoc. Somos nutela. Torcedor raiz? Só o CB.

Nono: não esquecer dos requisitos primeiro e segundo. E sempre “revogar as disposições em contrário”. Trata-se da cláusula pétrea do manual do chapabranquismo.

Por último: como será a manchete depois do empate contra o Fortaleza? “Secadores vibram com o empate?” E se o Grêmio tivesse vencido seria “Vitória contra o Fortaleza frustra secadores?”

O que quero dizer, nesta paródia ou alegoria, é que somos todos gremistas. É saudável criticar e fazer exigências. Ninguém é dono do conceito de torcida. Pensamento único é totalitarismo. Por isso, digo: gremistas “não CB” de todos os cantos, unamo-nos. Afinal, nada temos a perder a não ser o nosso direito de crítica (raciocínio tautológico, com selo Jus Azul de ironia e uma pitada de sarcasmo!).

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