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Porto Alegre (RS), terça-feira, 22 de setembro de 2020.
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Penhora de cotas sociais de empresa em recuperação para garantir dívida pessoal do sócio



A 3ª Turma do STJ negou provimento ao recurso especial de dois sócios que tentavam anular a penhora de suas cotas em empresas em processo de recuperação judicial. O julgado definiu que “não há vedação legal à medida”. O recurso teve origem em execução promovida por uma empresa para cobrar dívida de cerca de R$ 595 mil.

O juízo de primeiro grau deferiu o pedido de penhora sobre cotas sociais dos devedores em seis sociedades empresárias, duas delas em recuperação judicial.

Contra essa decisão, dois dos devedores recorreram, sustentando que a penhora de cotas pode resultar na imposição, aos sócios,  do ingresso de pessoa estranha ao quadro social, em prejuízo da affectio societatis. Alegaram ainda que, tendo sido aprovado o plano de recuperação das duas empresas, a substituição de administradores nesse caso teria de ser aprovada pela assembleia de credores.

O Tribunal de Justiça de São Paulo rejeitou o recurso, considerando que a recuperação da pessoa jurídica não impede a constrição judicial de patrimônio que pertence aos sócios.

O autor do voto que prevaleceu no julgamento do recurso especial, ministro Villas Bôas Cueva, afirmou que, nos termos do artigo 789 do CPC, “o devedor responde por suas obrigações com todos os seus bens – entre os quais se incluem as cotas que detiver em sociedade simples ou empresária –, salvo as restrições estabelecidas em lei”.

O ministro mencionou precedentes do STJ no sentido de que é possível a penhora de cotas societárias para garantir o pagamento de dívida particular do sócio, “pois não há vedação legal nem afronta à ´affectio societatis´, uma vez que a constrição não leva necessariamente à inclusão de novas pessoas no quadro social. Quanto à hipótese de sociedade em recuperação judicial, o magistrado ressalvou que poderia haver restrição à liquidação das cotas penhoradas, mas não à penhora em si.

Outras possibilidades

“Uma vez penhoradas as cotas – explicou o ministro –, algumas possibilidades se abrem na execução, como dispõe o artigo 861 do CPC. A primeira é o oferecimento dessas cotas aos demais sócios, os quais podem adquiri-las para evitar a liquidação ou o ingresso de terceiros na sociedade”.

Não havendo interesse dos demais sócios, a possibilidade de aquisição passa para a sociedade. Isso, em princípio - de acordo com o relator - “não seria viável no caso da recuperação judicial, pois não há lucros ou reservas disponíveis, nem é possível a alienação de bens do ativo permanente sem autorização judicial”.

"É de se considerar, porém, que o artigo 861, parágrafo 4º, inciso II, do CPC possibilita o alongamento do prazo para o pagamento do valor relativo à cota nas hipóteses em que houver risco à estabilidade da sociedade. Assim, a depender da fase em que a recuperação judicial estiver, o juízo pode ampliar o prazo para o pagamento, aguardando o seu encerramento", afirmou.

O ministro Villas Bôas Cueva ressaltou que não há, em princípio, vedação legal à penhora de cotas de empresa em recuperação, tendo em vista a multiplicidade de situações que podem ocorrer no prosseguimento da execução. "Eventual interferência da penhora de cota social na recuperação judicial da empresa deve ser analisada com o decorrer da execução, não podendo ser vedada desde logo, em abstrato, podendo os juízes - da execução e da recuperação judicial - se valer do instituto da cooperação de que trata o artigo 69 do CPC", destacou. (Com informações do STJ).

Informações processuais

RECURSO ESPECIAL nº 1803250

RECORRENTES:MARCIA LA SELVA KINDERMANN e SERGIO CARLOS KINDERMANN

ADVOGADOS: PAULO GUILHERME DE MENDONÇA LOPES e RICARDO TOSTO DE OLIVEIRA CARVALHO

RECORRIDA :MELTEX AOY COMERCIO DE MANUFATURADOS LTDA.

ADVOGADOS: SÉRGIO ZAHR FILHO e FERNANDO STEFANELLI GALUCCI.


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