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Porto Alegre (RS), sexta-feira, 07 de agosto de 2020.

Errar é humano



Imagem: Divulgação - Edição equipe EV

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O TRT-4 tentou implantar um “trenzinho da solidariedade” - penduricalhos financeiros incluídos - convocando 68 juízes para julgar 5.100 feitos que, na Corte, ora se acumulam nas pilhas que totalizam 19.837 processos. Brecada a resolução, a desembargadora presidente Carmen Izabel Centena Gonzalez procurou consertar o que era possível.

Em uma nota polida que enviou ao EV, ela reafirmou “o compromisso do tribunal com a prestação jurisdicional célere e efetiva à sociedade gaúcha, com o respeito irrestrito aos princípios da moralidade e da legalidade”. E mesmo convicta da normalidade da “Resolução da Solidariedade”, a magistrada trouxe a sensata notícia: “O TRT-RS respeitará e não recorrerá da decisão do corregedor-geral da Justiça do Trabalho, ministro Aloysio Corrêa da Veiga, que suspendeu o referido ato normativo”.

“Errare humanum est, perseverare autem diabolicam” - é um provérbio do latinório, atribuído a Santo Agostinho. Traduzido, afirma que errar é humano, persistir é diabólico.

O trenzinho moderno foi cassado pelo Tribunal Superior do Trabalho e, em boa hora, o tribunal gaúcho desistiu de tentar a ressurreição. Melhor assim!

Leia a íntegra da nota de esclarecimento

Em relação às matérias intituladas “O descarrilamento do ‘trem da solidariedade’” e “Um, dois, três, quase 20 mil”, veiculadas na sexta-feira (24) pelo Espaço Vital, o TRT da 4ª Região vem esclarecer:

1) A Resolução Administrativa n°14/2020 foi editada em estrita obediência aos critérios da legalidade e aos princípios que regem a administração pública, visando ao propósito maior de tornar mais eficiente e qualificada a prestação jurisdicional.

2) O ato normativo possibilitaria a redução do acervo de processos pendentes no segundo grau, sem prejuízo à jurisdição de primeira instância, considerando as peculiaridades do funcionamento do TRT-RS durante a pandemia, que impedem a realização de audiências presenciais, e a redução significativa das decisões pendentes em primeiro grau.

3) O trabalho concomitante dos juízes nas jurisdições de primeiro e segundo graus, de maneira extraordinária, justifica, na forma da lei e de acordo com resoluções do Conselho Nacional de Justiça e do Conselho Superior da Justiça do Trabalho, o pagamento de gratificação por exercício cumulativo de jurisdição.

4) A Resolução mantém a obrigatoriedade de apreciação do processo na Turma Julgadora de origem, de modo que, tratando-se de julgamento colegiado, não há hipótese de alteração da jurisprudência da Turma, ou violação ao princípio do juiz natural, situação jamais aventada em redistribuições de processos ocorridas anteriormente dentro da própria jurisdição de primeiro grau.

5) O TRT-RS reafirma seu compromisso com a prestação jurisdicional célere e efetiva à sociedade gaúcha, com o respeito irrestrito, que sempre demonstrou, aos princípios da moralidade e da legalidade. Embora convicto da adequação da Resolução n° 14/2020, o TRT-RS respeitará e não recorrerá da decisão do corregedor-geral da Justiça do Trabalho, ministro Aloysio Corrêa da Veiga, que suspendeu o referido ato normativo”.

(ass). Carmen Izabel Centena Gonzalez, desembargadora-presidente do TRT da 4ª Região.


A PALAVRA DO LEITOR

Se você quiser esclarecer, comentar, detalhar, solicitar correção e/ou acréscimo, etc. sobre alguma publicação feita pelo Espaço Vital, envie sua manifestação.

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