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Porto Alegre (RS), terça-feira, 14 de julho de 2020.
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Depois da censura à imprensa, o Supremo prepara a faustosidade gastronômica



Arte de Camila Adamoli sobre foto Visual Hunt

Imagem da Matéria

 A farra das lagostas

Os ministros do Supremo não admitiram que se trata de regalias em causa própria, mas confirmaram a abertura de uma licitação que os coloca na contramão da austeridade exigida em tempos de vacas magras na economia brasileira. Cobram-se sacrifícios de toda a sociedade para a redução de gastos públicos, mas abrem-se os cofres para “brunchs” e jantares faustosos.

O tribunal presidido pelo ministro Dias Toffoli – depois da atrabiliária censura à imprensa chancelada pelo colega Alexandre - decidiu abrir na sexta-feira (26) uma licitação que agrava ainda mais sua combalida imagem: a contratação de uma empresa que sirva banquetes aos ministros togados e a seus comensais.

Na farra gastronômica serão gastos R$ 1,1 milhão em um ano. O dinheiro, claro, será bancado pelo cidadão comum que paga exorbitantes impostos.

O processo de contratação do buffet prevê o fornecimento de 2.800 refeições (almoços ou jantares), 180 cafés da manhã, outros 180 “brunchs” (talvez dominicais, no melhor estilo estadunidense...) e três tipos de coquetéis para 1.600 pessoas. Na lista de exigências do contrato estão pratos dignos dos melhores restaurantes do mundo, comparados aos badalados cinco estrelas do guia Michelin.

Pelo Menu Supremo, a empresa que vencer a licitação estará obrigada a disponibilizar pratos com:

medalhões de lagosta com molho de manteiga queimada;

bobó de camarão;

camarão à baiana;

bacalhau ao estilo Gomes de Sá;

arroz de pato;

pato assado com molho de laranja;

galinha d’Angola assada;

vitela assada;

codornas;

carré de cordeiro,

medalhões de filé,

tournedos de filé com molhos de mostarda, pimenta, castanha de caju e gengibre.

 A farra dos vinhos e uísques

Para um menu tão opíparo serão necessárias “bebidas perfeitamente harmonizadas com os alimentos: espumantes (brut e extra brut), necessariamente produzidos pelo método champenoise e que tenham alcançado ao menos quatro premiações internacionais”, com pelo menos 12 meses de maturação.

A carta de vinhos também é de etilismo sofisticado: a bebida preferida pelo deus Baco deverá – em seus contornos brasilienses - ter variante de seis uvas: tannat, assemblage, cabernet sauvignon, merlot, chardonnay e sauvignon blanc.

Nos casos das três primeiras uvas cotadas, o vinho precisa ser obrigatoriamente de safra igual ou posterior a 2010.

Outras características singulares determinadas no edital: todos os vinhos precisam ter pelo menos quatro premiações internacionais, tendo sido envelhecidos em “barril de carvalho francês, americano ou ambos, de primeiro uso”.

Sobre os vinhos brancos, Chardonnay e Sauvignon Blanc, o procedimento licitatório apresenta uma curiosidade: as uvas para as duas bebidas precisam, necessariamente, ser colhidas à mão – não se sabe se os safristas terão que usar luvas desinfetadas.

E os uísques deverão ser de puro malte, envelhecidos por no mínimo 12 anos – e no máximo 18.

As cachaças para as caipirinhas devem ter sido curtidas em “barris de madeira nobre” por um, dois ou três anos.

A empresa ganhadora da licitação terá que disponibilizar, em todos os eventos, um garçom para cada grupo de seis pessoas.

 O contraponto do STF

Por meio de nota, o Supremo informou que "o edital da licitação do serviço de refeições institucionais em elaboração pelo STF reproduz as especificações e características de contrato semelhante firmado pelo Ministério das Relações Exteriores (que faz o cerimonial da Presidência da República)".

A corte suprema informou que seu conteúdo da licitação foi analisado e validado pelo Tribunal de Contas da União, "mas com redução de escopo: dos 21 itens contratados pelo ministério, 15 são objeto da licitação do STF".

Sobre o custo, o Supremo declarou que "o valor de R$ 1,1 milhão é uma referência, que será submetida à disputa de preços entre as participantes do pregão”.

 E o Engov?

O edital não prevê o fornecimento de maleato de mepiramina (popularmente conhecido como ´Engov´).

Mas, segundo a “rádio-corredor” do CF-OAB, “as supremas autoridades acreditam que a empresa vencedora disponibilizará tais comprimidos como cortesia, sem necessidade de aditivo contratual”.

Mas há controvérsias.

 O veterinário das contas

Rodrigo Calheiros, filho de Renan Calheiros (senador) e irmão de Renan Filho (governador de Alagoas), foi nomeado “diretor adjunto de controle interno” do Tribunal de Contas dali.

A atribuição foi feita a despeito da falta de experiência de Rodrigo Calheiros na área de controle de contas. Com 34 anos, ele tem formação em... medicina veterinária.

 Nunca antes neste país...

Na entrevista, na antessala do cárcere, aos jornais Folha de S. Paulo e El Pais, Lula deixou claro que os 12 meses de cadeia não lhe alteraram o espírito, embora tenha apregoado que “a prisão me deixou mais humano”. Pelas regras azeitadas, o ex-presidente falou o que quis e foi pouco contestado.

Explicou que sua alternativa para a reforma da Previdência seria autorizar um calote nos juros das dívidas das pessoas mais pobres. “Assim, as pessoas consumiriam mais e os empregos voltariam”...

Ninguém esperava mesmo, mas ainda assim Lula perdeu uma oportunidade de fazer um “mea culpa”. Sobre corrupção, vangloriou-se que “foi o PT que criou os mecanismos de controle”, sem fazer qualquer menção ao mensalão e ao escândalo da Petrobras.

Sobre o Sitio de Atibaia admitiu que seu erro foi “ter ido lá algumas vezes”. E os entrevistadores “esqueceram” de lembrar a Lula que, em cinco anos, ele foi 270 vezes ao sítio.


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