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Edição de terça-feira , 11 de dezembro de 2018.
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O meu conto de Natal



Charge de Gerson Kauer

Imagem da Matéria

Com o passar dos anos, alcançamos a tão almejada maturidade. Diariamente nos tornamos mais duros e nos sensibilizamos menos. A dureza é uma vacina para atenuar e nos fazer suportar aquilo a que, irremediavelmente, somos submetidos e forçados a conviver.

Assim, desenvolvemos um certo ´calo´ emocional que nos permite assistir resignados nos poucos minutos parados na sinaleira as cenas absurdas da miséria. Andar pelas ruas de Porto Alegre e de outras capitais vendo que cada vez mais elas se transformam em lares para muitos. Em termos de injustiças e desassistência, principalmente à infância, juventude e idosos, somos quase incomparáveis.

Somado a isso, a imensa raiva por testemunhar a demolição impiedosa de tudo aquilo que sempre acreditamos e buscamos. Lutamos, por acreditar, que seria possivel um país e um mundo melhor. Ao longo dos anos só há sinais de piora.

Mas enfim, é NATAL!

Longe está o tempo da magia, do cheiro das nozes e das maçãs pela casa, do grande pinheiro, do calendário sendo vencido na expectativa do dia 25 de dezembro, dos presentes cuidadosamente escolhidos antes de serem pleiteados ao Papai Noel.

Hoje para aqueles da minha geração, significativa parcela das pessoas que compunham a nossa cena natalícia não estão mais entre nós. Deles, presentes as lembranças e a saudade.

Comigo não é diferente, cada vez mais o Natal tem se transformado em um ritual anual, agora adornado e renovado pela presença do meu neto.

Mas vamos ao conto.

Quando do jogo da semifinal da Libertadores na Arena, recebi pelo ´Face´ a foto de uma linda menina, aluna de uma escola municipal, fardada de Inter, salvo a camiseta, com o seguinte texto: “No meio do foguetório, ao lado da Arena, a pequena aparece nestes trajes (chuteira, meia e camiseta promocional do Inter), dizendo: - Vou tocar fogo nos ´azul´...”

Claro que o “tocar fogo” era figurativo; ela na realidade iria com toda a sua graça desfilar entre os torcedores azuis e eles, diante da sua ingenuidade e meninice, teriam que aceitá-la.

As semanas foram passando e aquilo permaneceu dentro de mim. A Lara, tomou uma atitude corajosa que eu queria ver presente em todas as iniciativas do nosso Internacional. Foi buscar o protagonismo, mesmo quando o momento não era do seu clube do coração.

Bem, descobri o seu nome, onde estudava e na última quarta-feira (20), ela e a sua professora me esperaram em frente à escola para que eu pudesse entregar um presente surpresa, algo que ela desejava muito: uma camiseta oficial do Internacional.

Foi o melhor presente que eu pude me dar até o momento. Com ele um pequeno resgate da magia do Natal. Foi irresistível o olhar de espanto da menina e, ao mesmo tempo, de contentamento. Já recebi as fotos posteriores à minha saída. Nelas, uma linda menina, com um sorriso ainda maior emoldurado pelo vermelho da nossa paixão.

Dá-lhe Lara, um feliz Natal para todos e que 2018 seja de realizações! Para ti e para mim bastam as realizações do dia a dia, aquelas menos complexas, nada de mais, as possíveis já são suficientes e nos farão razoavelmente felizes.


Comentários

Edson Olimpio Silva De Oliveira - Médico 22.12.17 | 09:53:48

Parabéns pela sua atitude, Dr. Roberto! Que sirva como um farol na escuridão estimulada pelo conflito entre torcedores que transformam o amor ao seu time em ódio destruidor aos torcedores de outras cores.

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