A feia falta de revisão história do jornalismo da IVI: o culto ao cotovelo!


Ricardo Wortmann me lembra de recente coluna de Leonardo Papoula (Oliveira, da ZH – papoula por causa da patacoada dos pãezinhos com papoula que comeu para ajudar a provar que o jogador do Inter não estava dopado), na qual exalta a figura de Figueroa sem levar em conta duas coisas relevantes, historicamente falando.

A primeira é a violência de Figueroa, pública e notória, escondida, escamoteada e obnubilada pelo jornalismo clubístico praticado aqui na república dos volantes.

Papoula vai fundo na sua paixão. Ignora as cotoveladas. E não diz o óbvio: com VAR, Figueroa não jogaria mais de uma partida e já estaria suspenso por meses por... dar cotoveladas e quebrar narizes (ou deixá-los bem inchados).

Claro. Eram outros tempos. Mas os árbitros eram coniventes. Com Figueroa. Como o eram com Guiñazú. Curiosamente, também este tinha a extrema simpatia da crônica. Batia, batia e, por milagre, não recebia cartão. Aliás, na seleção da IVI, Mauricio Saraiva, apelidado por Wortmann, carinhosamente, de Guiñazú Saraiva, é o técnico.

Volto. O que quero dizer é que se um jornalista escrever sobre uma personalidade não deve fazer chapabranquismo. Tem de revolver o personagem. Seus méritos e defeitos. Caso contrário, não é jornalismo. Fazer jornalismo é como fazer biografia. Não pode esconder o lado obscuro do biografado.

Aqui entra o segundo ponto. Leonardo Papoula e a IVI esquecem e escondem o lado pinochetista do Figueroa pós-Inter. Sim, sei que Felipão também nutria simpatias pelo ditador (para quem não sabe, já morreu). Mas isso tem sido dito. E não deve ser esquecido. Como a paixão de Renato por Bolsonaro.

Não é vedado que personalidades do futebol digam o que pensam sobre a política. Porém, cada um é responsável por suas escolhas e palavras.

Ninguém escapa imune e sem arranhões do rio da história. Para o bem e para o mal. Por isso é inexplicável que o decoreba de alguns versos de Neruda, um poeta comunista (antítese de Pinochet), seja uma blindagem para a IVI - Imprensa Vermelha Isenta proteger o ídolo Figueroa. Além de patrón da área, declamava, diziam extasiados colorados como Luiz Fernando Veríssimo.

Figueroa jogou bola. Óbvio. Mas isso todos sabemos. O que não se pode esquecer é o modo como jogava. O VAR hoje detectaria a primeira pegada já no primeiro minuto.

Pronto. Não quero convencer ninguém. Aliás, no Brasil é impossível convencer até mesmo àqueles que acreditam que a terra é plana e os que não acreditam em vacinas. Fazer o quê.

Mas deixo registrado. No dia seguinte à importante vitória do Grêmio contra o Ceará. Oxalá a coisa engrene. Oxalá.

Pois é. Hoje, com VAR, tudo é mais difícil.