Amigos x seguidores e a Teoria Dunbar


PONTO UM:

Se procurarmos no dicionário vamos encontrar palavras como afeto, benevolência, admiração, amparo, defesa entre outras para explicar o significado de amigo. A amizade é um sentimento que acompanha o homem desde o tempo de grupos pré-históricos. Até Robinson Crusoé encontrou em seu caminho solitário de aventuras um amigo, o índio Sexta-Feira, rendendo-se o romancista Daniel Defoe, autor do personagem e de sua história, à força da amizade.

Todos temos amigos. Desde a mais tenra idade aprendemos a cultivar relacionamentos com um grupo de pessoas mais próximas, fora da família, a quem dedicamos e de quem recebemos afeto, sentimentos de benevolência, admiração, apoio. Olho no olho, abraços, tato e contato.

Mas num mundo virtual onde cada vez mais as relações se estabelecem pelas redes internautas de comunicação, onde segundos revelam-se importantes para novos relacionamentos, como anda a amizade? Ficamos impressionados quando alguém comenta ou nós mesmo detectamos que fulano conta com mais de 3, 5 mil amigos no Facebook. Já no Twitter ou no Instagram, a palavra-chave não é mais amigo, mas seguidores, parecendo ser mais fiel ao sentimento dos que se conectam pelos mais diversos motivos, onde certamente a AMIZADE – assim mesmo, com letras maiúsculas – não é necessariamente o fator determinante ou preponderante.

PONTO DOIS:

Segundo a teoria de Dunbar - assim denominada em homenagem a seu criador, Robin Dunbar, antropólogo britânico - as pessoas encontram limites no número de amigos, estabelecendo um número mágico máximo: 150. Essa limitação tem a ver com o nosso cérebro, mais precisamente o néocortex, que está associado à cognição e à linguagem e encontra limites para guardar informações e realizar conexões.

Informações e conexões são importantes para determinar nossos amigos: registros de histórias em comum, eventos, momentos importantes vivenciados, experiências de dor ou de alegria compartilhados, apoios mutuamente trocados.

Assim, o que escapa a esse número limite, acaba se diluindo facilmente por não encontrar consistência e, portanto, sem consistência não há que falar em amizade. É a tese do cérebro social, que encontra apoiadores, mas também contestadores a defender que as relações sociais sofrem influências de outros fatores, não se esgotando no orgânico.

Mas uma conclusão se pode extrair: amigo x seguidores não são sinônimos. Nem na antropologia, nem nas redes sociais. E poderia ser acrescentado, considerando as últimas ocorrências políticas e sociais no Brasil: amigo x seguidores x eleitores também não são sinônimos. O grau de consistência e de sua duração no tempo não é o mesmo para definir tais categorias.