Um saboroso Risoto Especial Judicial


O assessor da ministra estava às voltas com uma ação que condenara, nas duas instâncias da Justiça estadual gaúcha, a portentosa Google. A ação fora ajuizada por um chefe de informática atingido ante ofensas veiculadas, nas redes sociais, por um desconhecido terceiro, criador de uma comunidade virtual denominada “Prendam os ladrões da Unicruz”.

No recurso, a recorrente argumentava “não poder ter controle sobre a inclusão de informações”.

De repente, o servidor judicial, folheando peças para incrementar o relatório, constatou uma receita de “Risoto au Fromage et Tomate”; ela estava acrescentada às razões recursais. Não se tratava do já tolerado erro de “copia-e-cola”, mas de uma folha à parte, antes da página de fecho do recurso.

O “modus” do quitute continha dicas de como cozinhar a iguaria que leva nozes picadas, manjericão fresco etc.

Foi uma gozação no gabinete.

Voltando ao plano jurídico, no dia seguinte a relatora despachou, facultando "aos advogados que subscreveram a petição, o desentranhamento do documento (fl. 601 - uma receita de risoto), pois o mesmo não tem relação com o presente processo".

No tititi brasiliense, algumas das “rádios-corredores” exageraram. Houve quem dissesse que um “zeloso capinha” (denominação dada a servidores da corte que, na sala de sessões, praticam mesuras e resolvem problemas de última hora) chegara a um prévio extremo puxa-saquismo.

Ele teria testado e preparado, em casa, a mesma iguaria – que batizara de “Risoto Especial Judicial” - levando-a, tal como uma despojada mas afetuosa quentinha, para que a ministra provasse.

O sabor teria sido aprovado com louvor. 

Serviço Espaço Vital

Veja a cópia da receita, tal como entranhada nos autos processuais.

E – se achar interessante – experimente em casa. É para seis pessoas.