Não haverá cura para o vírus ´Immobilis 19/20/21´


Por Rafael Berthold, advogado (OAB/RS nº 62.120)

Ao suspender a tramitação de processos eletrônicos durante o período mais grave da pandemia - a decisão do tribunal estadual recebeu muitas críticas, especialmente de advogados. E é compreensível a indignação destes profissionais, afinal o meio digital garantiria a prestação jurisdicional sem se violarem as regras de distanciamento.

Tal medida promoveu grande avanço nas ciências do Direito e da Medicina, pois, pela primeira vez, identificou-se que a letargia do Judiciário decorre da infecção pelo vírus Immobilis 19/20/21, conforme estudo da intimorata Doutora Simone Bentus Gonssalvis. A publicação atraiu a atenção de cientistas do mundo todo. Mesmo assim, pouco se sabe até agora sobre o comportamento desse micro agente infeccioso.

Pesquisadores da Universidade de Oxford observaram, em estudos clínicos, que todos os integrantes do Judiciário, Brasil afora, são expostos ao vírus, mas aqueles verdadeiramente vocacionados podem permanecer assintomáticos ao longo de toda a carreira. Entrementes, os sem vocação estão propensos a sucumbir completamente ao novel vírus.

Outro estudo demonstrou que a gravidade dos sintomas está ligada à carga viral a que o agente é exposto. Por exemplo, se alguém vocacionado - e, portanto, mais resistente - for lotado em uma repartição repleta de colegas mais suscetíveis ao vírus, provavelmente aquele adquirirá os sintomas.

Também está para ser publicado um estudo sobre as “co-mora-bidades - um neologismo que resulta da junção das palavras CO + MORA - ou seja, fatores que combinados com a infecção pelo Immobilis resultarão em uma letargia ainda maior.

Apresentam co-mora-bidades”, por exemplo, magistrados que não atendem advogados, que fixam honorários em valores irrisórios, que trabalham no sistema T-Q-Q (terça, quarta e quinta), que moram distantes em condomínios à beira-mar, e assim por diante.

Outro grupo de cientistas contesta tal tese e sustenta ser mera coincidência o fato de a manifestação grave do vírus Immobilis normalmente se fazer acompanhar de “co-mora-bidades”.

- A questão chave é o respeito pelo advogado e pelo jurisdicionado - disse, durante uma live, o cientista médico Justinianus Augustus. Ele logo explicou que “um magistrado vocacionado que respeita o advogado, o receberá em seu gabinete, fixará honorários dignos, etc. Esse mesmo respeito fará com que se empenhe mais na prestação célere da jurisdição, a despeito da exposição ao Immobilis 19/20/21”.

Alguém então perguntou ao cientista Justiniano se “já existe vacina, ou tratamento, para a enorme dor de cabeça causada pelo Immobilis 19/20/21”, ao que o cientista respondeu.

- Sim, o paracetamol !

Ante a surpresa dos presentes, o pesquisador complementou:

- Vai ajudar a enfrentar a dor de cabeça. Porque, quanto ao Immobilis 19/20/21, não haverá cura. Definitivamente.