Liderança sem arrogância


Tenho um amigo com nove anos de idade apesar dos meus sessenta e cinco. Ser seu amigo exige um esforço para descarregar ao menos uns cinquenta e cinco anos do total da vida que carrego comigo. Uma das nossas brincadeiras é a de caçar ETs, sempre acompanhados pela Meg, a sua beagle apelidada por nós de guardiã.

      Há uma exigência do Mathias Fayet: o líder é ele, é o marechal e eu, o seu agente secreto. Na brincadeira, me submeto como liderado às suas determinações e treinamentos físicos.

      O Internacional, assim como o Mathias, estão na liderança. O Inter conquistou a condição com muito esforço, já ao Mathias houve concessão como resultado da sua benquerença.       Entendo que no futebol é necessário executar a tarefa imediata, pois conquistar  títulos é efeito – quem disputa tudo e sempre, levanta alguma taça.

      Não estamos jogando bonito e nem sobrando em campo, mas estamos ganhando,  e ganhar de meio a zero é ganhar. Nas lideranças em cotejo incide uma identidade: o Internacional e o meu amiguinho não utilizam a soberba como método de convencimento. Um a tem pelo coração e o outro pela simplicidade como reconhece as suas dificuldades e necessidades. Talvez esteja aí o grande ensinamento para obtê-la.

     É preciso não descuidar da liderança, grudando nela e festejando com humildade os resultados, mesmo que parcos.

     No Internacional, talvez por atavismo genético quase sempre deixamos de mascarar a realidade enfeitados pela arrogância. A única vez que isso não foi observado escrevemos uma vergonhosa página em nossa história.

     Seja o Mathias enfrentando os temidos ETs imaginários, ou o Internacional enfrentando os percalços do campeonato, o fundamental é não abandonar a essência.  Em síntese: para viver é melhor reconhecer o realismo da mortalidade do que a fantasia da imortalidade.

     Não importa que seja apenas a quinta rodada, o que é indiscutível é que só passaremos por ela uma vez e estamos passando na liderança.