O campeão será aquele que melhor driblar a crise


O Campeonato Gaúcho sempre revelou uma profunda desigualdade entre os grandes e os clubes do interior. As razões são muitas, sobressaindo as permanentes dificuldades financeiras. Nos interioranos, a realidade é de contratos de até seis meses, salários baixos e poucas possibilidades de contratação de atletas de ponta. Geralmente as grandes contratações se resumem aos atletas em final de carreira, cuja evidência situa-se no passado.

Conheci alguns dirigentes desses clubes, uns verdadeiros heróis abnegados no enfrentamento das piores perspectivas.

As exceções à regra oferecem as raras ocasiões em que alguns deles levantaram a taça gaúcha. Para mim a maior exceção foi a conquista pelo Novo Hamburgo, um time formado basicamente por veteranos. Mas há um mundo diferente no futebol que está fora dos holofotes. Não há glamour nem recursos, apenas paixão.

Ao longo dos anos foram adotadas várias formas para gerar menor ônus para os grandes na disputa do Gauchão, geralmente porque estão envolvidos em outras competições.

A paixão dos torcedores é a mesma - apesar das dificuldades são fiéis.

O último Gre-Nal serviu para revelar o quanto os dois maiores estão diminuídos em suas possibilidades. Na sequência, no último final de semana, dois empates que talvez anteriormente não ocorressem. Em tempos normais os grandes já estariam voando baixo e os demais em uma maratona descendente repleta de percalços.

Foi necessária a mudança do mundo, alterando o normal para estabelecer uma outra medida. Todos estão com enormes dificuldades e talvez as dos ditos pequenos clubes sejam muito menos graves que a dos grandes.

É sempre assim, mas diante da pandemia o campeão será aquele que melhor driblar a crise. Ela atinge a todos, até o Barça.

Aguardemos.