A sátira a um sepultamento: um acontecimento divino, ou profano?


[1ja] Divino ou profano?

O notório restaurante Divino - situado no ponto comercial mais valorizado de Gramado (RS) - foi palco no sábado passado (9) de um acontecimento ímpar e triste. Um bem postado cliente, devidamente combinado com três garçons e com o DJ da casa, adentrou bailando, frenético, entre as mesas, sob o fundo musical de uma alta música eletrônica que lembrava um solene sepultamento. Foi uma adaptação infeliz do vídeo de um funeral africano que virou meme durante a pandemia do coronavírus.

Os serviçais acompanharam o ritmo, empunhando champanhas colocadas em recipientes apropriados para gelar as garrafas.

Alguns outros clientes olharam-se estupefatos. Feições revelaram desconforto. Salvante os festeiros, o mal-estar foi geral. O proprietário da casa ainda não havia chegado e o gerente tinha saído para comprar produtos que estavam em falta...

Entre as centenas de frases que pimpongaram nas redes sociais, o internauta Mauro Borba - que é operador jurídico - alfinetou curto e com propriedade:

“Aconteceu sábado em Gramado, principal cidade turística gaúcha. Entrementes, mais de 10 mil mortes no país por coronavírus. A humanidade realmente não deu certo!”

Em tempo: nesta mesma edição do Espaço Vital, o colega Roberto Siegmann criou uma diferenciada Jus Vermelha Fúnebre. No texto, ele considera “inacreditável uma alienação de tamanha expressão, justamente quando o Brasil atingia a marca de dez mil mortes pela Covid-19”.

Veja as imagens e depois envie sua opinião para 123@espacovital.com.br .

· O vídeo do restaurante de Gramado.

· O vídeo sobre as encenações nos funerais em Gana.

[2ja] De olho nos argentários

Fortes petardos - seguramente temidos pelo sistema bancário nacional - estão por sair das gavetas de Davi Alcolumbre.

O Senado pretende votar ainda em maio projetos que miram nos lucros dos bancos.

Um deles proíbe temporariamente a inscrição de inadimplentes na Serasa e no SPC; outro tabelará juros de cartões de crédito e cheque especial. E o terceiro suspenderá temporariamente pagamentos de empréstimos consignados.

[3ja]  Santos e Rato

Com a pandemia em curva descendente, a notória Andrade Gutierrez assegurou a contratação que a fará responsável pela expansão do metrô de... Lisboa. É que Portugal, que esta semana registrou sua mais baixa taxa de crescimento de casos de Covid-19, vai aos poucos retomando a economia.

O contrato assinado pela empreiteira é de 48,6 milhões de euros para a execução das obras de expansão. Os nomes das estações que serão incrementadas são - vejam só - Santos e Rato.

Mais o percurso entre elas.

[4ja] Não cheguem perto!

O Senado abriu licitação e vai contratar uma empresa de segurança para proteger as suas dependências e o entorno dos apartamentos funcionais das excelências políticas. O edital prevê gastos de até R$ 26,3 milhões por ano. Vejam bem: são R$ 71 mil diários.

A empresa vencedora fornecerá 296 homens, que se revezarão durante as 24 horas por dia. Ou seja, até quando os discípulos de Alcolumbre estiverem dormindo, eles estarão vigiados.

Ligue-se! O prezado leitor está ajudando a pagar a conta.

[5ja]  Dispensa “a pedido”

A advogada Rosangela Moro - esposa do ex-ministro da Justiça foi dispensada, “a pedido”, da função de integrante do Conselho Nacional de Incentivo ao Voluntariado. Ela estava ali na condição de “representante da sociedade civil”, sem qualquer vantagem financeira.

O conselho do programa, instituído em 2019, é presidido por Michelle Bolsonaro.

[ja!] Futebol jurídico

Nesta mesma edição do Espaço Vital, interessante artigo do advogado Rafael Silveira Paim, sobre o novo nicho aberto para a advocacia trabalhista e para argentários jogadores de futebol. Já são três os casos de ações de atletas que cobram adicional noturno e acréscimo pelo trabalho futebolístico nos domingos e feriados.

Um novo detalhe: o treinador de goleiros Rogério Augusto Godoy da Silva, que trabalhou muitos anos no Grêmio - sendo demitido em janeiro deste ano - entrou com ação contra o clube tricolor. Entre 16 itens, cobra adicional noturno, adicional de viagens, trabalhos em domingos e feriados.

Trata-se de um “protesto judicial interruptivo da prescrição”, apresentado pela advogada do reclamante face à dificuldade (ante a Covid) de se reunir com o cliente e acessar a documentação funcional.

Em novo lance processual foram apresentados mais documentos pelo ex-profissional do Grêmio, indicando que haverá um pedido de nulidade da demissão e/ou indenização por acidente de trabalho. Foram juntados laudos médicos indicando lesão. A ação está na 15ª Vara do Trabalho de Porto Alegre. (Proc. nº 0020316-55.2020.5.04.0015).