Veja demite jornalista que tentava criticar o STF


O jornalista José Roberto Guzzo – que tem firme simpatia pelo governo de Jair Bolsonaro - foi demitido da revista Veja, da Editora Abril, onde iniciou seu trabalho como colunista há 51 anos. A saída se deu após a recusa da direção da publicação em publicar sua coluna da sexta passada, na qual criticava o STF e dizia que os ministros, com o julgamento de quinta-feira 17 sobre a prisão depois da condenação da segunda instância, decidiriam "pela paz ou pela desordem".

Em uma carta de despedida, Guzzo escreveu que, "ao recusar a publicação da coluna mencionada", a Veja "exerceu o seu direito de não levar a público algo que não quer ver impresso em suas páginas. A partir daí, em todo caso, o prosseguimento da colaboração ficou inviável".

Leia a íntegra da carta do jornalista

Caros amigos

Desde quarta-feira, 15/10/19, não sou mais colaborador da revista “Veja”, na qual entrei em 1968, quando da sua fundação, e onde mantinha uma coluna quinzenal desde fevereiro de 2008. A primeira foi publicada na edição de 13/02/2008. A partir daí a coluna não deixou de sair em nenhuma das quinzenas para as quais estava programada.

Na última edição, com data de 16/10/19, a revista decidiu não publicar a coluna que eu havia escrito. O artigo era sobre o STF, e sustentava, como ponto central, que só o calendário poderia melhorar a qualidade do tribunal — já que, com a passagem do tempo, cada um dos 11 ministros completaria os 75 anos de idade e teria de ir para casa. Supondo-se que será impossível nomear ministros piores que os destinados a sair nos próximos três ou quatro anos, a coluna chegava à conclusão que o STF tende a melhorar.

A liberdade de imprensa tem duas mãos. Em uma delas, qualquer cidadão é livre para escrever o que quiser. Na outra, nenhum veículo tem a obrigação de publicar o que não quer. Ao recusar a publicação da coluna mencionada acima, “Veja” exerceu o seu direito de não levar a público algo que não quer ver impresso em suas páginas. A partir daí, em todo caso, o prosseguimento da colaboração ficou inviável.

Ouvimos, desde crianças, que não há bem que sempre dure, nem mal que nunca se acabe. Espero que esta coluna tenha sido um bem que não durou, e não um mal que enfim acabou. Muito obrigado.”