Gilmar Mendes, o vice-campeão no Twitter: só se fala nele, ou dele...


 [1ja] Juridiquês, filigranas e fetiche

Na sessão de anteontem (2) do Supremo – cheia de ´juridiqueses´ fastidiosos e de filigranas jurídicas advocatícias para alcançar objetivos – o ministro Gilmar Mendes aproveitou o palco para se alongar num tema extra autos de que gosta. Falou mal dos procuradores de Curitiba e do ministro Sergio Moro, a quem acusou de transformadores da prisão preventiva em “instrumento de tortura para obter confissões dos presos”.

Na sequência, o ministro desfechou uma flechada pessoal em que só faltou a carteira de identidade do destinatário: “Quem defende a tortura não pode fazer parte desta Corte”.

A frase alfinetou, nas entrelinhas, a possibilidade de Moro vir a ser indicado por Bolsonaro para uma vaga no STF em 2020 ou 2021.

Quem assistiu, pela tevê, a cansativa transmissão inteira da sessão percebeu que Gilmar deu mais atenção ao Intercept e às acusações extraídas das conversas roubadas dos celulares dos procuradores do que ao caso em si.

No clímax da indignação, ainda insinuou um “fetiche sexual” entre procuradores e juízes da Lava Jato.

[2ja] Só se fala nele (ou dele?)

Coincidente pesquisa feita pela Diretoria de Análise de Políticas Públicas da Fundação Getúlio Vargas mostra que entre os dias 25 de setembro e 1º de outubro – no auge dos ricochetes pela chegada do livro de Rodrigo Janot – o ministro Gilmar Mendes teve 331.039 menções no Twitter. São mais citações nessa rede social do que a maioria dos artistas que se apresentaram no Rock in Rio, nesse mesmo período.

Comparando: a jovem cantora Iza - que fez o maior sucesso no festival e é jurada do “The Voice Brasil” - teve 223.977 menções; Bon Jovi obteve 134.562 citações, menos da metade do magistrado brasileiro.

E, impressionante, o supremo ministro obteve quase cinco vezes mais menções do que a estrondosa Ivete Sangalo que alcançou 79.706.

Gilmar perdeu, na comparação festeira, apenas para o encrenqueiro Drake, que foi a atração principal do primeiro dia do Rock in Rio e chegou a 781.092 citações.

[3ja] Desonestidade?

A mais notória frase reprimível da semana foi do presidente do STF, Dias Toffoli, na quarta-feira (2) no Plenário da Corte: “Se não fosse o Supremo, não haveria combate à corrupção no Brasil” – disse ele.

O palavrório continuou: “É uma falácia dizer que esta Corte atua em sentido contrário. É uma desonestidade intelectual”.

[ja!] Mais passageiro(s)?...

Há algo estranho no coletivo da Fetranspor – aquela associação dos donos de ônibus no Rio de Janeiro. É que a delação do empresário Lélis Teixeira, justamente ex-presidente da entidade, foi fechada com o ministro Felix Fischer, do STJ.

“Por que no STJ?” – pergunta a “rádio-corredor” da OAB carioca.

Afinal, pela lei, só chegam a aquele “tribunal da cidadania” delações envolvendo pessoas com foro privilegiado, como deputados federais, senadores e desembargadores.

Será que passageiros com foro privilegiado também embarcaram no ônibus endinheirado?