O coronelismo de churrasqueira


A frustração não é a melhor inspiração. Feita a constatação me esforcei em imaginar um texto ponderado, alentador e que apontasse para um desejável alvissareiro futuro.

Falaria apenas no nó dado pelo jovem treinador do Athlético no nosso Odair. Diria do meu espanto com a bagunça que virou o nosso time diante da derrota. Sublinharia que o clube paranaense eliminou o Flamengo, o Grêmio e o Internacional, tratando-se, pois, de uma grande equipe de futebol. Com certeza estaria aplacando o nosso sofrimento.

Mas mudei o rumo da prosa ao ouvir o comentário pós-jogo do jornalista Maurício Saraiva. Ele ofereceu aos ouvintes uma análise que me resgatou da hipocrisia do politicamente correto.

Defendeu ele a manutenção de toda a estrutura do futebol, apontada como concebida pelo “maior dirigente da história do Internacional, Fernando Carvalho”. A imputação açambarcava não só o treinador Odair, mas o Melo e os seus comandantes e comandados.

Em primeiro lugar, há um erro grave ao considerar como maior dirigente da história do Internacional alguém que elegeu o Vitório Piffero, sem até hoje emitir qualquer juízo de valor acerca das barbaridades cometidas contra o Internacional. Ele também omitiu-se quando da luta contra a nefasta reforma do Beira-Rio com recursos próprios e sendo o responsável direto, tanto que no comando plenipotenciário do futebol, pelo nosso lançamento à segunda divisão do futebol brasileiro.

Além disso, parece que o comentarista Maurício Saraiva não se deu conta de uma grave contradição ética embutida no comentário: ele considera como “maior dirigente da história do Internacional”, alguém que não exercendo cargo no clube e vinculado a negócios com jogadores de futebol, segundo a sua opinião, é o responsável pela concepção da direção técnica e política do futebol colorado.

Parece ser verdadeira a versão de que as orientações ao Melo são passadas na churrasqueira, prevalecendo a opinião e a postura – quase nunca corajosas – do coronel do futebol do Inter.

Ora, a eliminação em quase todas as competições, excepcionado o Campeonato Brasileiro, é a demonstração de que o futebol está mal concebido e mal conduzido. Cansei de ouvir as ladainhas do vice de futebol, apontando situações de quase gol, de quase campeões e de que até o minuto tal, fomos melhores em campo, e de que se não fosse o gol do adversário...

No balanço da atual direção até o momento não há um título sequer, nem mesmo o de campeão gaúcho.

Até parece que o Melo conta com algum tipo de estabilidade, ou “costas quente”, contrariando o que é regra nos demais clubes: quando a direção de futebol não mostra serviços, ela tem que ser trocada.

É preciso de uma vez por todas romper com as cordas das marionetes, tirar do colo os bonecos de ventríloquo e dar um fim aos fantoches de mão.

Ainda mais, é preciso sepultar o que não deu certo, rompendo com o coronelismo de churrasqueira de domingo.

Desprezando a pobreza do seu currículo e apenas diante da possibilidade de seguir na Libertadores ou sagrar-se campeão da Copa do Brasil, o virginal vice de futebol do Inter deixou de focar a sua missão, assanhando-se em articular a sua candidatura à presidência do Sport Club Internacional.

Presidente Medeiros lembre-se que já transcorreram três quartas partes do seu período total de gestão e deixe o Odair até o final do Brasileirão, quando poderá ser reavaliado. Mas mude o departamento de futebol já!