Léo Pinheiro chegou a fazer as malas, porque iria sair “naquele dia” ...


Léo Pinheiro, ex-presidente da construtora OAS, passou a cumprir prisão domiciliar a partir de terça-feira (17). Ele estava preso desde setembro de 2016 e já foi condenado em cinco ações na Justiça do Paraná relacionadas à Operação Lava Jato. Ultimamente encontrava-se recluso na carceragem da Polícia Federal, em Curitiba.

O regime do empreiteiro progrediu devido à homologação da delação premiada. O acordo – que tem 109 anexos - foi fechado em janeiro pela Procuradoria Geral da República e enviado, em setembro, para o STF. O conteúdo ainda está sob sigilo.

A partir da homologação pelo Supremo, a PGR vai analisar os anexos da delação e poderá pedir a abertura de novas investigações ou a inclusão de depoimentos em inquéritos já abertos.

Veterano da prisão de Curitiba, Pinheiro levou para a cela o mesmo estilo conciliador que tinha quando era o poderoso líder da OAS. Quando um problema acontecia nas três celas que abrigam os presos da Lava-Jato em Curitiba, ele era o responsável por melhorar o clima. Foi o que ocorreu quando Antonio Palocci se desentendeu com a maioria dos reclusos, por manter sempre ligada uma extensão que poderia comprometer a energia de toda a área.

Leo interveio, Palocci ouviu em silêncio e desligou a gambiarra.

Pinheiro gostava da função assumida de contador de histórias. Em determinado dia, após combinação prévia com o doleiro Adir Assad, também recluso, os dois mostraram-se bem humorados e passaram a arrumar as malas porque naquele dia “deixariam a prisão, depois de uma liminar concedida pelo Supremo”.

As horas foram passando, ninguém se deu conta do blefe até que – na hora da suposta despedida – Pinheiro pilheriou: “Enganamos vocês, hoje é primeiro de abril de 2018, dia da mentira, e também dia dos bobos”.

Até os policiais federais ficaram sem jeito, por terem acreditado na pilheria – só então se dando conta de que ordem de soltura nenhuma chegara à carceragem.

Pinheiro costumava também comparar os presos como os galináceos que vão para o forno giratórios das lanchonestes nos fins-de-semana. “A única galinha que escapa do inferno é a que fez delação premiada” – costumava repetir, notadamente quando novos presos chegavam.