Justiça Federal de Uruguaiana recebe inquérito por estelionato contra o deputado Paulo Pimenta


A Justiça Federal de Uruguaiana (RS) recebeu o inquérito que investiga suspeitas de estelionato e lavagem de dinheiro contra o deputado federal Paulo Pimenta (PT), líder do partido na Câmara dos Deputados. Em manifestação ao saite de notícias G1, o deputado disse que espera que o inquérito seja arquivado. Segundo ele não existem elementos que o envolvam nos fatos investigados após quase dez anos. Além disso, Pimenta disse que “vou tomar providências legais contra as pessoas que me envolveram nisso”.

A decisão de enviar os autos processuais para o RS foi do ministro Luiz Fux, do STF. Ele negou recurso do parlamentar que pretendia manter a investigação na corte em Brasília. Pimenta é suspeito de atuar como operador de um sistema que lesou produtores rurais da cidade de São Borja, na Fronteira Oeste do Rio Grande do Sul, em pelo menos R$ 12 milhões.

Em entrevista à RBS TV, o médico veterinário Antônio Mário Pimenta, que é primo do deputado, denunciou o suposto esquema. Produtores de São Borja também alegam ter sofrido o golpe após vender a produção para a arrozeira. Entregaram os cereais, mas não receberam o pagamento.

O inquérito foi enviado para o primeiro grau devido ao entendimento do STF de que deputados não têm foro privilegiado quando investigados por crimes cometidos fora do mandato.

O processo está no STF desde 2012. No parecer, a Procuradoria Geral da República afirma existirem "indícios que apontam para o deputado federal como o verdadeiro proprietário da arrozeira, ou, ao menos, como quem mantinha com a citada empresa algum grau de vinculação que o faça também responsável pelas fraudes noticiadas".

A Justiça Federal de Uruguaiana informou que, após digitalizado nos próximos dias, o inquérito será remetido ao Ministério Público Federal, que pode decidir por pedir o arquivamento, oferecer denúncia, ou solicitar novas diligências.

Jornalista e técnico agrícola, natural de Santa Maria, Paulo Pimenta começou ali sua longa carreira política, inicialmente como vereador (1989). Em 2002, foi eleito deputado federal com a maior votação já obtida por um candidato da região central do Estado e o mais votado do PT no interior gaúcho. De 2003 a 2007 cumpriu mandato de deputado federal, para o qual foi reeleito em 2006 com 104.430 votos; em 2010 novamente reeleito, como o deputado mais votado pelo PT no Rio Grande do Sul, somando 153.172 votos. Em 2014 e 2018 reelegeu-se deputado federal, respectivamente com 140.868 e 151.719 votos.