A ONU monitora o genocĂ­dio do povo negro no Brasil


Há algum tempo vimos convidando nossas (os) leitoras (es) a pensar na importância de trabalhar com gênero e raça interseccionalmente. O primeiro texto, aqui no ´Preto no Branco´, tratou sobre a violência contra as mulheres; agora faremos uma abordagem que dialoga diretamente com os direitos humanos e a violações destes direitos.

Na pesquisa “Relatório da ONU e População Negra”, observou-se que a Organização das Nações Unidas - ONU manifesta-se de maneira muito articulada sobre a violência que tem como alvo a maioria da população brasileira, qual seja: a população negra. Destacamos que o comprometimento de uma organização internacional demonstra expressivo compromisso em contribuir para a elucidação de diversos assassinatos, especialmente o da vereadora Marielle Franco.

Logo após o fato, ocorrido em março de 2018, o Sistema ONU no Brasil divulgou nota posicionando-se a respeito do simbolismo que permeia a execução de Marielle; desde então, a instituição internacional está pressionando o governo brasileiro para solucionar o caso da vereadora. Além disso, vem garantindo suporte à família da vítima desde o fato de sua morte.

Marielle foi um marco pela sua participação, renovação e nos lembra as bandeiras da ONU perante o combate ao racismo, ao machismo e a todas as opressões. A execução de Marielle chamou a atenção mundial para os problemas estruturais da sociedade, que só podem ser vistos numa ótica interseccional, que não simplifique nem hierarquize formas de opressão. Neste sentido, o racismo foi tão determinante quanto a condição de classe ou de gênero. O fato de ela ter sido a quinta vereadora mais votada do Rio de Janeiro foi resultado do envolvimento direto com as comunidades.

Além disso, Marielle tocou em pautas políticas que atingiam profundamente, inclusive, as famílias dos policiais, alertando-as que aqueles “soldados” estavam lutando uma guerra que não era sua. Nesta esfera, cabe uma reflexão sobre funcionamento dos instrumentos utilizados pela ideologia do genocídio do povo negro, fenômeno tão genialmente explicado por Abdias do Nascimento.

No caso em tela, além de ser objetivamente e estruturalmente político, é subjetivamente político. Era uma mulher negra com o discurso do poder. Isso significa dizer que suas ideias influenciavam outras pessoas; como consequência, estava criando forças e empoderando mais mulheres. Ou seja, ela foi silenciada, por um sistema classista, machista e racista, justamente porque era defensora dos direitos humanos, possuía ideias revolucionárias e dedicava seu trabalho à melhoria de vida das populações negras e periféricas.

Neste sentido, entende-se como positivo o comprometimento da ONU em monitorar os casos de violência no Brasil, pois não resta dúvidas que as execuções sumárias significam um ataque direto aos direitos humanos, assim como o caso da família negra que teve o carro alvejado por 80 tiros disparados pelo Exército Brasileiro.

É imprescindível que o Estado seja responsabilizado pelo genocídio do povo negro, que se sustenta e alimenta do racismo estrutural.

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