Mais seis meses de “direito” a não sair da casa dos pais


O estadunidense Michael Rotondo, de 30 de idade, anunciou na sexta-feira (25) que recorrerá contra a decisão judicial que determinou o seu despejo, atendendo ao pedido judicial feito por seus pais Mark e Christina Rotondo. Desde fevereiro, eles deram sete ultimatos – alguns dos quais formais - para que o filho deixasse o lar, queixando-se de que “ele não ajudava nas despesas e tarefas domésticas”. O prazo paterno para que o filho se retirasse era renovadamente estabelecido em duas semanas, mas foi constantemente ignorado.

A questão chegou a juízo. E numa das cortes distritais de pequenas causas, em New York, o juiz Donald Greenwood deferiu o despejo, concedendo o prazo de dez dias para que Michael se retire amistosamente, até a próxima sexta-feira..

Na repartição forense, Michael fez sua própria defesa, alegando que “conforme um precedente que pesquisei, terei o direito a ficar mais seis meses na casa dos pais, o que é um tempo razoável para quem depende do apoio financeiro de outras pessoas."

Como há recurso com efeitos suspensivo e devolutivo por envolver também uma questão de família, é possível que Michael consiga postergar sua saída, mantendo o problema para os pais. 

Em entrevista ao jornal “The Post-Standard”, Michael afirmou que não tem mais diálogo com seus pais. Disse que ele se mantém com seus próprios negócios, mas se recusou a dizer o que fazia.

Síndrome de Peter Pan

Integrante da Sociedade Brasileira de Psicanálise do Estado do Rio, Sônia Bromberger avalia que Michael é um exemplo da “síndrome de Peter Pan” — pessoas com mais de 25 anos que parecem presas à adolescência, evitando a rotina e a responsabilidade típicas da idade adulta.

Em entrevista ao saite de O Globo, Sonia avaliou que “provavelmente o Michael tem uma personalidade narcísica, infantil, e não mostra gratidão por tudo o que foi feito para ele” - explica. Ela admite ser “doloroso para os pais levar a uma instância jurídica o caso de um homem que não tem a humildade de reconhecer que está errado e que cospe em seu próprio prato”.

Para Sônia, o americano é um exemplo incomum de um fenômeno crescente, inclusive no Brasil — a permanência por cada vez mais tempo dos jovens na casa dos pais.

 "O caso de Michael é marcado por relações hostis, mas, em muitos episódios, esse processo é amistoso e responsável” — diz ela.