A "sanguinĂ¡ria" briga de dois amigos pela mesma mulher


Dois amigos se desentendem ao conversar sobre o que tinha acontecido na festa onde haviam estado à noite.

Um deles, suspeitando que o outro assediara a sua namorada, oferece uma carona e, na volta para casa, inicia a discussão dentro do carro.

Questionamentos pra cá, ironias pra lá, a razão os abandona e então resolvem o impasse à força. Nada grave: resultam apenas manchas roxas decorrentes de socos de punhos de amigos.

Contudo, muito magoado, aquele que fora acusado de cobiçar a mulher do outro vira inimigo e registra ocorrência policial.

Feito o exame de corpo-de-delito, apenas lesões leves são confirmadas. Na semana seguinte, uma ação penal privada é ajuizada.

Na audiência de instrução, o autor comparece sem testemunhas - afinal, a briga não fora presenciada por ninguém.

Encerrada a instrução, a sentença em apenas uma linha, com curiosíssima afirmação, assim resume a lide: "Amigos até na hora de brigar por mulher, autor e réu lutaram como dois sanguinários.”

Quem leu, observa que o juiz sequer se deu conta do laudo médico. Outros, que a sentença (de improcedência) fora de um acerto brilhante, inclusive quanto à língua portuguesa.

Efetivamente, como lê-la? Lutaram como dois sanguinários, fazendo de conta, ou lutaram como dois sanguinários, com real ferocidade?

O estagiário e o assessor do gabinete tiveram que dar muitas explicações...