"Pedi maçãs, ganhei uvas"!...


Está chegando à mesa do presidente da OAB-RS, Marcelo Bertoluci, um relato revelador da expansão da estagiariocracia e da assessorcracia na prestação jurisdicional.

Um advogado militante revela que "também fui atingido pelos dois´fenômenos´ que minam os ambientes forenses: pedi ´maçãs´, mas recebi ´uvas´ na sentença do douto assessor/estagiário do juiz, que, apesar dos embargos declaratórios, manteve o erro mais absurdo e irracional que vi em milhares de processos em que trabalhei".

O profissional da Advocacia já recorreu ao TJRS. Mas desabafa que "o estrago na minha esperança está feito: se já está assim, imagine-se em um futuro próximo".

O advogado decepcionado acredita que a OAB deve pelo menos tentar minimizar os efeitos esdrúxulos do excesso de demandas e a prioridade frenética dos julgadores em encerrar processos apenas para atingir as metas do ano.

"As ações viraram números, e a antiga máxima que dizia que ´cada caso é um caso´, ficou sendo coisa do passado, pois hoje as demandas são julgadas em grupo" - registra o advogado.

Ele está propondo que a Ordem colete e divulgue institucionalmente as decisões absurdas, para mostrar à opinião pública o caminho da falta de justiça que as metas, números e excesso de demanda estão tornando irreversível.