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Edição de TERÇA-feira, 13 de novembro de 2018.

Arbitragem pela linha de fundo



Arte de Camila Adamoli

Imagem da Matéria

Por Ilgo Wink, jornalista e assessor de imprensa.
Ilgowink@gmail.com

A mídia tradicional e as redes sociais ainda não se deram conta da importância de informar, antes e depois dos jogos, o quadro completo de arbitragem. Cada vez mais o árbitro do jogo (sublinhei) perde um naco do seu histórico protagonismo. Mesmo assim, ele segue sendo o mais importante – e mesmo com o advento do AAA, ‘árbitro assistente adicional’, e do VAR (do inglês Video Assistant Referee), a responsabilidade maior é do juiz. Sempre sobra pra ele.

Por enquanto quase anônimo, o AAA tem uma vida tranquila. Raramente seu nome é citado. Já a mãe do juiz continua sofrendo sozinha, sem dividir os xingamentos com as genitoras dos outros integrantes da equipe.

Vejam o caso do AAA que trabalhou (e como!) na vitória do Inter por 2 x 1, no Beira-Rio, sobre um time misto frio do Atlético Paranaense. O AAA cometeu um erro grave ao assinalar pênalti inexistente a favor do Inter, aos 45 do segundo tempo. No dia seguinte, nenhum jornal de Porto Alegre mencionou o nome do AAA. Sobrou apenas para o juiz principal, de nome Rodrigo Ferreira.

Assim como o VAR, o árbitro de linha de fundo também chegou com a melhor das intenções, para tentar diminuir o número de erros nas arbitragens. Mas o que se tem visto é que tanto um como o outro mais complicam do que ajudam. O VAR é uma boa ideia, mas que está sendo utilizada ao sabor de interesses nem sempre idôneos.

Sobra tudo para o coitado (neste caso o adjetivo cabe) do árbitro, que acaba pagando também pelo erro do tal auxiliar adicional, que ganha R$ 1 mil por jogo (o menor cachê do grupo). O juiz, sendo FIFA, ganha em torno de R$ 4 mil. É pouco, dinheiro, diante da responsabilidade e dos valores que movimentam esse circo.

Mas pretendo fazer agora – com a ajuda do Espaço Vital - o que a imprensa esportiva já deveria ter feito: revelar o nome do juiz de linha, o tal AAA, que foi decisivo na vitória colorada.

Trata-se do glorioso Eduardo Cordeiro Guimarães, carioca, morando atualmente em Santa Catarina. Ele chegou a ser apitador no Rio, mas não se deu bem. Teve problema sério. Em 2014, num clássico Flamengo x Vasco, ele anulou um gol de Douglas (esse mesmo que agora está no Grêmio), numa cobrança de falta. É que a bola bateu no travessão e entrou, e Guimarães não validou o gol.

Por ironia, quem induziu Guimarães ao erro foi outro AAA, o Rodrigo Castanheira, que estava a cinco metros do lance, na linha de fundo, olhar fixo na bola que quicou meio metro, no mínimo, dentro da goleira e saiu. Não tinha como o auxiliar não ver. E o Vasco perdeu por 2 a 1.

Na época, foi o então árbitro Eduardo Cordeiro Guimarães quem ganhou as manchetes. Esta semana, nem uma nota de rodapé para o mesmo árbitro, sobre sua função discreta – mas decisiva - de árbitro assistente adicional, mesmo que tivesse cometido erro tão clamoroso.

Já o juiz Rodrigo Ferreira se quebrou ao seguir a errada sinalização do AAA Eduardo Cordeiro Guimarães, que deveria ter auxiliado o árbitro principal, mas que ajudou outrem.

Hoje, o Brasil inteiro sabe o nome de Rodrigo Ferreira, catarinense, que está sendo exposto amplamente em todos os programas de rádio e tevê, noticiários, etc.

Já o nome do assistente Eduardo Cordeiro Guimarães – repito, aquele que marcou, a favor do Inter, o pênalti inexistente - se mantém quase anônimo, em segundo plano. Mas desconfio que essa moleza está começando a acabar.


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Comentários

Joao Fernando Sperotto - Aposentado 11.11.18 | 20:12:53

E os três pênaltis não marcados a favor do Grêmio no GRE-NAL do primeiro turno? E o gol com a mão do Potker, do Internacional, contra a Chapecoense? E o pênalti não marcado a favor do Grêmio contra a Chapecoense? E outros inúmeros benefícios dados aos "vermelhinhos"?

Hilton Boklis - Advogado 09.11.18 | 16:48:01

Por que o articulista não usou como exemplo o pênalti marcado contra o Inter no jogo com o Vasco, por erro do árbitro de fundo? Não dá mais pra aguentar tanta parcialidade por quem escreve com o coração ao invés da razão.

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