Ir para o conteúdo principal

Edição de terça-feira , 18 de setembro de 2018.

A primeira sessão do TRF-4 depois do “solta e prende” de domingo



Foto de Filipe Strazzer (Google Imagens)

Imagem da Matéria

Olhares vagos e distantes - Favreto (mirando ao celular) é o do centro, a duas cadeiras à direita de Leandro Paulsen (bem à direita, na foto), presidente da 8ª Turma, que julga a Lava Jato no TRF-4.

O primeiro encontro – oficial e protocolar, é claro - dos três desembargadores do TRF da 4ª Região participantes da batalha jurídica do último domingo (8) foi marcado por desconforto e olhares vagos, distantes e/ou de indiferença. Os membros da corte participaram ontem (9) da cerimônia de posse do desembargador catarinense Osni Cardoso Filho.

O presidente do TRF-4, Carlos Eduardo Thompson Flores, que comandou o evento, foi o primeiro a entrar na grande sala de sessões. Em seguida, Rogério Favreto - que concedeu a liminar para soltar Lula – entrou, sentou-se e ocupou muito tempo olhando para o seu celular.

O desembargador João Pedro Gebran Neto, relator da Lava-Jato e contrário à soltura do petista, foi o último a entrar entre os 27 desembargadores. Ele recém havia proferido a decisão de manter a prisão do ex-presidente (leia matéria nesta mesma edição do Espaço Vital). Estava sorridente.

Thompson e Gebran não cumprimentaram Favreto. Após o encerramento da solenidade, Favreto saiu do plenário conversando com alguns colegas. Logo depois, Thompson Flores deixou a sala.

Na saída, Favreto conversou com o advogado catarinense Márcio Vicari. Segundo a “rádio-corredor” da OAB-RS – repercutindo observações colhidas na cerimônia – Favreto teria confidenciado a pessoas mais próximas “a necessidade de trocar o número de seu celular e de seu telefone residencial convencional” – como cautela após ameaças e trotes propagados a partir de domingo à tardinha. Também teria dito a um colega sobre sua intenção de “procurar a polícia”.

O presidente Thompson Flores e o relator Gebran cumprimentaram o novo colega Osni, após o encerramento da solenidade e deixaram o saguão do tribunal. Favreto saiu por último e entrou direto nos elevadores dos magistrados. Orientado pela assessoria de imprensa da corte, não parou para dar entrevista.

Advogados comentavam “delicadas sutilezas” escritas em duas das decisões dominicais. A de Gebran, ao manter Lula preso, referindo que o plantonista Favreto fora induzido em erro”  pelos advogados impetrantes; a resposta escrita imediata de Favreto, afirmando “não ter sido induzido em erro”, mas concedendo a soltura ao ex-presidente com base em “fato novo”.

Detalhes sobre os discursos

 Durante a cerimônia, o primeiro a discursar foi o desembargador Rômulo Pizzolatti, que deu as boas-vindas ao novo colega Osni. O mal-estar entre os colegas de toga em função do controvertido plantão dominical não foi mencionado, nem mesmo de forma indireta.

 O presidente Thompson Flores estava encaminhando o término de sua manifestação quando, de forma velada, abordou o longo domingo: “A cordialidade é uma de suas características principais do nosso novo desembargador Cardoso Filho. Aliás, a cordialidade é fundamental para o nosso trabalho e deve permanecer neste tribunal”.

 Osni Cardoso Filho, que se classificou para atuar em uma turma previdenciária, nenhuma participação jurisdicional terá nos processos da Lava-Jato. Ele não tratou, em seu discurso, sobre os fatos de domingo. Mas foi enfático em entrevista após a cerimônia: “Não é possível convivermos em ambiente de discórdia, de conflito. Temos de acabar com isto! E dentro do Poder Judiciário mais ainda é essencial que haja um bom convívio entre os pares e entre os servidores”.


Comentários

Claudio Garcia - Advogado E Coronel Da Reserva (b.m.) 16.07.18 | 16:06:08
Não tenho a certeza, mas gostaríamos de saber, qual a posição da OAB sobre a postura desse Desembargador e também sobre a indicação para o quinto constitucional de advogados militantes em partidos políticos.
Osvaldo A Dalla Nora - Advogado 13.07.18 | 11:56:32
Tribunais se transformaram em instrumento político... de uma só facção que parece ter somente ela o direito de opinar... aos outros... se ousarem.. devem ser calados a força...este incidente mostrou realmente que o Judiciário se transformou em um instrumento para afastar um candidato 'na marra' pois a facção que manda não pode com ele
Eliel Valesio Karkles - Advogado 10.07.18 | 09:49:55

Este desembargador (ex-petista... ou um petista no TRF-4), chegou ao tribunal através da OAB com uma vergonhosa INDICAÇÃO política. Por sua vez a OAB fica calada, como se não tivesse "culpa" no enredo. Vergonhoso!

Banner publicitário

Notícias Relacionadas

Magistrados podem, ou não, julgar ações em que haja atuação de familiares?

A AMB busca, em ADIn, a inconstitucionalidade do art. 144 do CPC. Este dispõe que há impedimento do juiz em ação “em que figure como parte cliente do escritório de advocacia de seu cônjuge, companheiro ou parente, consanguíneo ou afim”. Em rebate, a AGU sustenta a constitucionalidade do dispositivo.

Por “uma Justiça melhor”, Brasil sediará a 9ª Conferência da IACA

Será de 16 a 19 de setembro em Foz do Iguaçu. “Tolerância zero para a corrupção” é um temas do evento. Presidente da Suprema Corte da Suécia fará a conferência de abertura. Brasileiro Sérgio Moro palestrará sobre “Combate permanente à corrupção no mundo”.