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Edição de sexta-feira, 16 de novembro de 2018.

A maldade humana e a falta de percepção do que é a justiça



Polícia Civil de São Paulo (Divulgação)

Imagem da Matéria

O empresário Luis Henrique Almeida Reis, dono da transportadora TransRique, foi preso em sua residência, ontem. O executor Wagner Oliveira da Silva, ex-PM, 32 anos, está preso desde o dia do crime.

A Polícia Civil paulista prendeu ontem (18) – em São Bernardo do Campo, no ABC paulista, o mandante do assassinato, a tiros, de um advogado do interior de São Paulo. O empresário Luiz Henrique Almeida Reis, de 45 anos, que atua no ramo dos transportes, está sob custódia policial pela morte de Nilson Aparecido Carreira Mônico, de 55 anos. A prisão preventiva foi pedida a uma das varas criminais da comarca de Presidente Venceslau (SP).

O advogado foi encontrado morto em seu escritório na última segunda-feira (11). As imagens gravadas por câmeras de segurança do prédio deram as pistas para as primeiras providências policiais.

Segundo os investigadores, as motivações de Luiz Reis contra Nilson Mônico foram vingança e dívida. A polícia prendeu o autor do crime, um ex-PM, um dia depois do homicídio. O delegado Everson Aparecido disse que uma das empresas de Luiz Reis perdeu uma ação no valor de R$ 1,5 milhão e ele se revoltou contra o advogado.

Logo após a prisão, o empresário Reis disse aos policiais que ele mandara o ex-PM “apenas ameaçar e dar um susto no advogado” e que “não tinha encomendado a morte de ninguém”.

Antecedentes do caso

· Em 2006, um caminhão de uma das empresas de Reis dele se envolveu em um acidente de trânsito que causou a morte de uma pessoa em Presidente Venceslau (SP). A viúva, defendida por Nilson Mônico, entrou com uma ação cível que foi julgada procedente. A decisão transitou em julgado.

· O advogado conseguiu – em nome de sua cliente - penhorar um imóvel do réu, no Guarujá, no valor de R$ 2 milhões, ao obter a desconsideração da pessoa jurídica e direcionar a execução diretamente contra Luiz Henrique Almeida Reis.

Posição da OAB-SP

O presidente da OAB-SP, Marcos da Costa, afirmou que “o crime representa a maldade humana e a falta de percepção do que é a justiça”. Para a polícia, o assassinato está esclarecido, mas agora as autoridades vão investigar outro crime: a ocultação de bens e patrimônio.

Para evitar o pagamento da dívida, o empresário Luiz Henrique Almeida Reis teria transferido parte dos bens para o nome de terceiros.

Outras providências policiais

Ainda de acordo com a polícia, foram analisados os seis volumes do processo cível que envolve o empresário, e foi constatado que o advogado assassinado agiu de forma ética e profissional, dentro dos parâmetros processuais.

Além da prisão, equipes da Polícia Civil de Presidente Venceslau e do ABC Paulista cumpriram mandados de busca e apreensão em imóveis e empresas nas cidades de São Bernardo do Campo, Santo André, São José dos Campos e Jacareí. As buscas foram feitas nas empresas e endereços de familiares do empresário. Quatro armas e um simulacro de arma foram apreendidos, além de documentos.

O empresário atua no ramo de transportadoras, mas também tem negócios com empresas de caçambas e terraplanagem, segundo a polícia.

Como foi o crime

O advogado venceslauense Nilson Aparecido Carreira Mônico, foi alvejado em sua sala de advocacia na manhã da última quarta-feira (13) em Presidente Venceslau. O autor dos disparos, Wagner Oliveira da Silva, 32, foi preso em flagrante. O mandante do crime fugiu.

A Polícia Civil da cidade de Presidente Venceslau liberou novas informações na manhã desta terça-feira. Segundo ela, as investigações apontaram que o assassino chegou na cidade na madrugada do crime juntamente com o empresário Luiz Henrique Almeida Reis, que foi o mandante do crime; eles estavam em um Fiat Strada. Eles arquitetaram a ação e o veículo ficou estacionado próximo à empresa Ford Santa Clara, com o empresário dentro.

O autor do crime esperou o advogado chegar ao local de trabalho, entrou no escritório com uma bolsa e retirou a arma, fitas de mordaça e abraçadeiras de plásticos. Com o material ele rendeu e deixou imobilizada a secretária do escritório e uma senhora que estava no local. “Em seguida ele entrou na sala, amarrou a vítima e a amordaçou, colocou o advogado de joelho no chão e o executou com três tiros” – segundo o relatório policial.

Na sequência o homem fugiu do local, mas pessoas que ouviram os disparos iniciaram uma perseguição e acionaram rapidamente a polícia. O autor do crime correu em direção ao local onde o carro - com o mandante - estava estacionado. Mas o pistoleiro foi interceptado por policiais militares e detido. O empresário arrancou com o carro e fugiu.

Em depoimento ao delegado, o ex-PM Wagner Oliveira da Silva disse que foi contratado e que receberia R$ 5 mil pela ação.

Desse dinheiro, tinha recebido R$ 2 mil pouco antes do crime. Wagner tem 32 anos, foi exonerado da carreira militar, e é fichado na polícia com passagens por receptação e porte ilegal de armas de uso restrito.


Comentários

Cleanto Farina Weidlich - Advogado 19.06.18 | 17:03:32

Minha solidariedade e sentimento de profundo pesar aos familiares da vítima, nosso colega de profissão. Passei por algo parecido, mas não conseguiram ir até o fim, caso contrário não estaria aqui escrevendo essas linhas. Sugiro que a OAB Federal entre no caso para prestar assistência jurídica e amparo para a família da vítima. 

Juarez Onofre Venning - Advogado 19.06.18 | 10:50:31

Foi crime premeditado, deve ser verificadas transferências imóveis e outros bens, antes da sentença condenatória e antes da desconsideração pessoa jurídica, para propiciar indenização as viúvas, tanto do acidente que condenou ao pagamento 1,5 milhões e agora em dobro pelo assassinato Advogado, a sua família e também objetivando os ganhos que poderia ter durante resto sua vida produtiva, isto com bens recuperados do empresário assassino, com a venda pagamento em numerário. 

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