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Edição sexta-feira , 20 de julho de 2018.

Distribuição de chupeta (s)



Charge de Gerson Kauer

Imagem da Matéria

Há um tititi na comarca de entrância final: um magistrado – em vias de ser promovido a desembargador – tem frequentes confrontos com advogados, nas audiências.

A “rádio-corredor” irradia, complementarmente, que tal juiz costuma “oferecer chupetas a advogados, a quem chama de chorões”. Mas, numa entrevista ao “Diarinho” – o principal jornal local - o juiz limita a abrangência dos “chorões” a “um choroso” só.

Textualmente, o magistrado confirma que houve uma representação contra ele no Tribunal de Justiça. “Mas o problema não era exatamente a chupeta. O que ocorreu foi que, numa audiência, eu disse: ´O senhor está chorando tanto…´ . E ofereci o bico. Mas foi para a parte” – diz ele.

O juiz ofertante prossegue na entrevista: “A justiça não tem amigos, ela tem interessados. Muitas vezes, a relação entre juiz e advogado não é das melhores. Porque o juiz fica dizendo ´não´ - e dizer ´não‘ não é fácil”.

Afinal, o magistrado admite ter havido uma representação de iniciativa da OAB, relatando que ele oferecera um bico a um advogado. “Mas foi provado que isso não era verdade e o processo foi arquivado” – diz ele.

O juiz detalha, sobre o caso confirmado, que se tratava de uma audiência sobre Direito de Família:

Então eu disse pra parte: ´O senhor tá chorando, pega esse bico´. Era um bico que uma criança tinha me dado de presente. Eu falei: ´Quem sabe o senhor pega esse bico e vai chupar, porque aqui o senhor tem que pagar pensão´. Era um médico que não queria pagar pensão alimentícia”.

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Os fatos foram revividos ontem (18) por advogados catarinenses, numa busca ao baú forense da comarca de Itajaí (SC). O caso dos bicos – ou, pelo menos de um bico só – envolve o porto-alegrense de nascimento Eduardo Mattos Gallo Júnior, 50 de idade.

Magistrado de carreira, mais de 20 anos na profissão, desembargador do TJ de Santa Catarina desde 2017, ele foi defenestrado pelo Órgão Especial da corte, na última sexta-feira (15) por diversas infrações: Violência doméstica contra a esposa e assessoria jurídica de partes - que, no conjunto, foram considerados comportamentos antiéticos e violadores dos princípios do decoro.

Após punir Gallo com a “pena máxima” (???) de aposentadoria, o TJ de Santa Catarina foi prosaico numa publicação: “A matéria, no âmbito do tribunal está encerrada”. Mas o palavrório oficial tem ainda uma frase promissora: “O Ministério Público, se entender que tais fatos constituem mais que infrações administrativas, poderá promover ação para apurar eventual cometimento de ilícitos penais, com a possibilidade de o magistrado inclusive perder seu cargo público”.

Há controvérsias.


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