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Edição de sexta-feira, 16 de novembro de 2018.

Supremo Tribunal Federal lançará o novo juiz Victor!



Arte de Camila Adamoli sobre foto do Google Imagens

Imagem da Matéria

Por Lenio Luiz Streck, jurista às antigas, que ainda acredita em livros e não em robôs!

Não, é Victor, o robô que terá a tarefa de pré-processar (filtrar) os recursos na Suprema Corte. Claro, logo depois Victor terá filhotes, que, nepotisticamente, assumirão seus lugares para filtrarem recursos no STJ e apelações nos demais tribunais.

Victor, dizem, é “treinado” para aumentar a eficiência e velocidade de avaliação judicial. Em nome da eficiência (o que é isto – a eficiência), sucumbimos ao Black Mirror?

Bom, a máquina é Victor, cujo parente mais antigo era Victor... Frankenstein. E, é claro, nós somos os ´loosers´. Perdemos para a técnica.

O direito à liberdade dependerá de um ou dois bytes. Nem um colóquio com Huxley, Orwell e Kafka seria capaz de prever um Direito em que o cidadão que vai a juízo recebe, no lugar de uma resposta adequada à Constituição, a instantaneidade da técnica.

Claro que isso já está gerando problemas. Militantes feministas reclamam que Victor é masculino. Machismo! Já há movimento para trocar o nome de Victor para Victoria. E gente falando do Vic! Ou da Vic. A comunidade LGTB acha que Victor podia ser sem gênero. Reclamam um nome neutro. E já falam em colocar ´x em lugar de ´o´. Seria Victxr...!

Dizem também que a principal função de Vic (já incorporei) é exterminar recursos. Ele chefiará o ´Einzatzgrupp´ de recursos (Grupo de Extermínio de Recursos). Será uma espécie de ´Dead Pool´. Victor – o exterminador de recursos – será patrocinado pela SkyNet, a empresa que destruiu o mundo no filme O Exterminador do Futuro, lembram?

Outro problema: como recorrer das decisões de Vic? Caberá agravo das decisões de Vic? Haverá uma TRV – Turma Recursal de Victors? Hum, hum.

Mais: Cabem embargos das decisões de Vic? Ele terá estagiários na equipe? Certamente, haverá uma reunião do sindicato dos estagiários para reivindicar cotas para a respectiva estagioariocracia.

Outra questão que envolve o sindicato dos assessores. Quantos assessores terá o Vic? E vai dar para despachar com Vic?

Os cursinhos de preparação farão resumos “victorianos”? Os professores-sertanejos-universitários dos cursinhos de preparação para concursos cantarão em versos dicas de como ingressar com recurso para driblar Vic?

Vic (ou Victxr) decidirá conforme a sua consciência? Ups. Vic decidirá por livre convencimento?

Consta que as faculdades alterarão suas grades curriculares. Vic I, Vic II, Vic III, além de Introdução ao Vic, Teoria Geral do Vic, Pratica do Vic. ´

E os professores ensinarão que petição se faz assim:

“Carx Victor(ia):
Resumo do caso: x na perspectiva xh + f2 = grt3.
Requer: organon6 desde que bg5.
PD”.

O que isto quer dizer? Não sei. É a novilíngua victoriana. Vá saber...

De todo modo, PD eu seu: é o velho Pede Deferimento. É só isso que restará do antigo direito.

Vou estocar comida. No meu bunker. Nas montanhas.


Comentários

Ivan Luiz Coelho - Servidor Do Judiciário Estadual 17.06.18 | 11:40:01

Não sejamos hipócritas... Como se isso fosse novidade. Já existe há muito tempo na advocacia onde há iniciais, contestações e tudo mais produzidas por robôs virtuais, e com grandes aplicações em ações em massa. Quem assina a peça ou decisão é um robô? Claro que não. Não se retira a responsabilidade do advogado ou juiz. Claro que discussão sobre o teor final. Enfim, é algo sem retorno.

Mario Fernando Gonçalves Lucas - Advogado. 15.06.18 | 11:02:09

Se efetivamente se concretizar tal aberração, estamos liquidando com a nossa profissão. Teremos que vender bananas nas esquinas. Coitado de quem efetivamente necessitar de um Judiciário e de juízes que apliquem as leis e a justiça.

Emerson Dos Santoa Varella - Advogado 15.06.18 | 10:22:33

Na atual conjuntura de que o ser humano delega as faculdades de pensar, decidir e agir para as máquinas, vivenciamos a massificação do direito, onde os atos de redigir, peticionar e decidir não passam de simples atos de copia e cola. Assim, num futuro não muito distante, não precisaremos mais de advogados, juízes e promotores, mas somente de analistas de sistemas que vivenciam um mundo binário de conceitos axiologicos do verdadeiro e falso. Nesse universo, a Justiça será desnecessária.

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