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Edição sexta-feira , 17 de agosto de 2018.

Deputados ´torram´ o equivalente a 48 toneladas de café com aluguel de máquinas de expresso



Um cafezinho, por favor! Essa é uma das frases que o brasileiro mais repete ao longo do dia. A segunda bebida mais consumida do país – atrás apenas da água – é também uma das paixões dos parlamentares. Em particular, para um grupo de 68 deputados mais exigentes na hora de consumi-la.

Insatisfeitos com a qualidade da mistura de pó e água servida nas comissões, no plenário e nos gabinetes dos demais colegas, eles torram dinheiro público para alugar as tradicionais máquinas de café expresso. Três lideranças partidárias (DEM, Solidariedade e Podemos) também fornecem cafés do tipo longo e curto, todos moídos na hora. As informações são do saite Congresso em Foco, em matéria assinada pelos jornalistas Joelma Pereira e Lucio Batista.
 
Desde o início da atual legislatura, em fevereiro de 2015, lá se foram R$ 600 mil com o aluguel dessas maquininhas que, além do cafezinho, entregam outras delícias, como cappuccino, mocaccino e chocolate quente. O valor sai da cota para o exercício da atividade parlamentar, uma verba pública destinada a cobrir gastos atribuídos pelos congressistas ao mandato, como aluguel de escritório político, passagens aéreas, locação de veículos e despesas com combustíveis.

Embora sendo imoral, a prática não é ilegal. A brecha está associada ao uso da cota para a manutenção do gabinete.

O valor equivale ao consumo de 48 toneladas de pó quando comparado com o que toda a Câmara gastará apenas este ano com a compra de 53,5 toneladas de café. Com essa quantia, é possível satisfazer a vontade dos 16 mil funcionários, jornalistas e os milhares de visitantes da Casa. Todos têm direito a beber sem desembolsar nada.

De acordo com o edital da compra, os grãos torrados são “de primeira qualidade”. A empresa vencedora foi a Odebrecht Café. Apesar do nome, a marca não faz parte do grupo envolvido na Operação Lava Jato. Pertence a outro ramo da família.

O deputado Aluísio Mendes (Podemos-MA) não dispensa um café expresso. Ele já gastou R$ 23,8 mil com o aluguel da máquina desde o início da legislatura. O valor foi devidamente reembolsado pela Câmara.

Quem também não abre mão de um expresso é o deputado Nilton Capixaba (PTB-RO). O petebista é o que paga o aluguel mais caro entre os 71 parlamentares. São R$ 977 por mês com a maquininha que serve, de acordo com o fabricante, oito tipos de bebida. Outros colegas dele alugam por menos de R$ 600.

Levando em consideração que o aluguel proporciona uma combinação de diversas bebidas e para proporcionar um atendimento melhor aos prefeitos, vereadores e diversas pessoas que visitam o meu gabinete, vejo que o aluguel da máquina é importante para os trabalhos do meu gabinete” - alegou Capixaba, quando instado pelo saite ao Congresso em Foco.

O petebista Nilton Capixaba atribui a diferença entre o aluguel pago por ele e outros parlamentares a uma “cláusula contratual”. Considerando-se a média de funcionários por gabinete, cada bebida extraída de uma máquina de expresso pode custar até R$ 2,39 por dia.

Do valor total, R$ 575,8 mil foram gastos na legislatura pelos deputados e os outros R$ 22,3 milhões pelas três lideranças partidárias.

Leia a íntegra da matéria, na íntegra, na origem.


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