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Edição de sexta-feira , 21 de setembro de 2018.

“A raiva é filha do medo e mãe da covardia”



Fotos Camera Press

Imagem da Matéria

Os ministros do STF Gilmar Mendes e Luís Roberto Barroso protagonizaram um bate-boca público – com troca de acusações - nesta quinta-feira (26) durante sessão da Corte em Brasília.  Enquanto Barroso afirmou que Mendes tem "parceria com a leniência" diante dos crimes de colarinho branco e "não trabalha com a verdade", este, por sua vez, disse não ser "advogado de bandidos internacionais".

A crítica de Barroso foi em relação à soltura do ex-ministro José Dirceu, decretada em maio deste ano, pela 2ª Turma do STF, da qual Mendes faz parte. Já o ataque de Mendes fez menção ao fato de que Barroso, antes de chegar ao Supremo, foi advogado de Cesare Battisti, condenado por assassinatos na Itália e que ganhou o ´status´ de refugiado no Brasil  - revogado este mês pelo presidente Michel Temer.

Os ministros do STF estavam reunidos para julgar uma ação direta de inconstitucionalidade que questiona a extinção dos Tribunais de Contas de Municípios do Ceará, aprovada em emenda à Constituição estadual. Mas o assunto ficou de lado quando Mendes mencionou que o Estado do Rio de Janeiro usava dinheiro de depósitos judiciais para pagar precatórios. O mecanismo foi barrado pelo próprio Gilmar em decisão liminar proferida em fevereiro. Em junho, no entanto, em outro processo, Barroso concedeu liminar no sentido contrário.

"Não sei para que hoje o Rio de Janeiro é modelo, mas à época se disse: devíamos seguir o modelo do Rio de Janeiro" - disse Gilmar Mendes.

"Vossa Excelência deve achar que é Mato Grosso, onde está todo mundo preso" - respondeu o fluminense Barroso ao mato-grossense Mendes.

"E no Rio, não estão?” - perguntou Mendes.

"Aliás, nós prendemos... mas tem gente que solta" - afirmou Barroso.

A partir desse momento, o tom subiu. Acompanhe:

Gilmar – “Solta cumprindo a Constituição. Quem gosta de prender... Vossa Excelência, quando chegou aqui”, soltou José Dirceu.

Barroso: “Porque recebeu indulto da presidente da República”.

Gilmar:Não, não. Vossa excelência julgou os embargos infringentes”.

Barroso:Absolutamente. Isso é mentira. Aliás, Vossa Excelência normalmente não trabalha com a verdade. Então gostaria de dizer que José Dirceu foi solto por indulto da presidente da República”.

Gilmar: “Vossa Excelência julgou”.

Barroso: “E Vossa Excelência está fazendo um comício que nada tem que ver com extinção de tribunal de contas do Ceará”.

Gilmar: “Tem, sim”.

Barroso: “Vossa Excelência está queixoso porque perdeu o caso dos precatórios e está ocupando o tempo do plenário com um assunto que não é pertinente para destilar esse ódio constante que Vossa Excelência tem, e agora o dirige contra o Rio. Vossa Excelência devia ouvir a última música do Chico Buarque: ´a raiva é filha do medo e mãe da covardia´. Vossa Excelência fica destilando ódio o tempo inteiro! Não julga, não fala coisas racionais, articuladas, sempre fala coisa contra alguém, está sempre com ódio de alguém, está sempre com raiva de alguém. Use um argumento, o mérito do argumento”.

Neste ponto, a presidente Cármen Lúcia, intercede para tentar conter a discussão. Pede que a Corte volte a discutir o tema em pauta, mas Mendes já engata sua resposta e ignora o pedido de Cármen Lúcia.

Mendes: “Eu vou voltar, presidente. Só queria lembrar que os embargos infringentes do José Dirceu foram decididos aqui”..

Cármen Lúcia: “Ministro, se pudesse por favor voltar ao caso do tribunal de contas, este é o caso em julgamento”.

Mendes: “E se dizia que o mensalão era um caso fora da curva”.

Veja e ouça as imagens e as farpas da discussão


Comentários

Sérgio Araújo - Aposentado 27.10.17 | 15:20:54
É lamentável que integrantes da mais alta corte de justiça do país, que deveriam dar o exemplo de urbanidade, respeito e coleguismo, comportem-se como dois infantes. Triste STF.
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