Ir para o conteúdo principal

Terça-Feira, 17 Outubro de 2017

Reitor da UFSC é encontrado morto em Florianópolis



UF-SC (Divulgação) – 30.11.2015

Imagem da Matéria

O reitor afastado da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), Luiz Carlos Cancellier, foi encontrado morto na manhã de ontem (2) no Beiramar Shopping, em Florianópolis.  Aos 59 de idade, ele estava afastado da instituição por determinação judicial. Ele e outras seis pessoas foram presas no dia 14 de setembro e liberadas no dia seguinte.

O grupo é investigado na Operação Ouvidos Moucos, da Polícia Federal, que apura desvio de recursos em cursos de Educação à Distância (EaD) oferecidos pelo programa Universidade Aberta no Brasil (UAB) na UFSC.

A investigação aponta que verba destinada ao EaD foi desviada, inclusive para pessoas sem vínculo com a universidade, como parentes de professores e até um motorista. O reitor foi preso por suspeita de tentar barrar a investigação interna, segundo a PF.  A UFSC tem 101 cursos de graduação, sendo 10 à distância.

Também são investigadas verbas de custeio de ensino, como para livros, viagens e transporte. Entre as constatações, estão casos de aluguel de carro com custo 10 vezes acima dos preços de mercado.

Com uma disputa apertada, Cancellier tinha sido escolhido novo reitor da UFSC em 2015. A gestão começou em 2016, com duração até 2020.

Cancellier era diretor do Centro de Ciências Jurídicas desde 2012. Ele tinha graduação, mestrado e doutorado em Direito, pela UFSC, além de especialização em gestão universitária e Direito Tributário.

Suicídio

Em nota, a assessoria do shopping disse que por volta das 10h30 desta segunda-feira um homem cometeu suicídio, caindo no vão central. Ele se jogou da escada do piso L-4.

A Polícia Militar e o Instituto Médico Legal (IML) confirmaram a identidade da vítima.

Em nota, a universidade afirmou que "pró-reitorias e secretarias da Administração Central paralisaram as atividades a partir das 11h, em função do trágico acontecimento".

Estiveram no shopping nesta manhã familiares e amigos do reitor. Entre eles, a secretária de Justiça e Cidadania, Ada de Luca, e o ex-ministro do Trabalho, Manoel Dias.

Investigação

Cancellier era suspeito de tentar interferir nas investigações internas feitas pelo corregedor-geral, Rodolfo Hickel do Prado. O corregedor diz ter sido ameaçado pelo reitor, ter o salário reduzido e ser pressionado a fornecer dados da investigação.

Também houve as denúncias de uma professora e uma coordenadora do EaD (Educação à Distância) a respeito de tentativas de "abafar" as investigações.

O reitor chegou a declarar que afastamento do cargo após operação da PF "é um exílio" e que prisão "foi traumática". Segundo Cancellier, não houve nenhuma "atitude que leve à obstrução de qualquer denúncia que tenha sido feita com relação à universidade”.

Autorização para entrar na UFSC

No último sábado (30), a 1ª Vara Federal de Florianópolis expediu autorização a Cancellier para que entrasse no Centro de Ciências Jurídicas do campus da capital, na próxima quinta-feira (05) para participar de uma sessão pública.


Comentários

Manoel H.a. Silva - Contabilista 04.10.17 | 09:03:04
Uma perda como essa é sempre lamentável, mas o reitor poderia aguardar o fim das investigações onde se provaria ou não a sua inocência. Aos acusadores, caso estivessem mentindo, aplicar-se-ia o peso da lei. Aliás, a sua morte não deve encerrar as investigações para que sejam punidas aquelas pessoas que o acusaram sem provas.
Celso Palauro - Advogado 03.10.17 | 13:39:31
O Brasil vive um período de "estado policialesco" onde primeiro se prende para depois averiguar a culpa. A prisão é medida extrema que vem sendo praticada cotidianamente, causando mazelas a indivíduos corretos que pode, sim, levar ao suicídio. Para uma pessoa que dedicou toda sua vida ao Direito, ensinando a milhares de acadêmicos o significado da Justiça ser vitima desta mesma justiça é sim a decretação da pena de morte.
Banner publicitário

Notícias Relacionadas

Quatro novas teses do STJ

Elas versam sobre auxílio-acidente, transferência de presos, nulidade de processo administrativo disciplinar e não incidência de IPI em serviços gráficos.

Foto Imply.com

Um espaço vital para as paixões gremistas e coloradas

 

Um espaço vital para as paixões gremistas e coloradas

Este saite passa a publicar, a partir do dia 17, Jus Azul, às terças-feiras e Jus Vermelho, às sextas. Textos serão do engenheiro Ricardo Wortmann (blogueiro da “Corneta do RW”) e do advogado Roberto Siegmann (conselheiro do Inter). Levantamento aponta igualdade (42%) de percentuais entre os leitores que preferem Grêmio ou Inter.

AL-RS (Divulgação)

A medalha do nepotismo

 

A medalha do nepotismo

Procedência de ação popular. A 1ª Câmara Cível do TJRS condena a ex-deputada estadual Marisa Formolo (foto) à restituição – “revitalizada e polida” - da Medalha do Mérito Farroupilha, que ela concedeu a um irmão. Ela pode optar por ressarcir o erário.