Ir para o conteúdo principal

Edição antecipada 21-22 de junho de 2018.

Subproduto perverso da faxina ética



Chargista Nani – www.NaniHumor.com

Imagem da Matéria

Por Carlos Thomaz Ávila Albornoz, advogado (OAB-RS nº 6.425).
albornoz.adv@terra.com.br

O país vive um momento ímpar; está sendo feita uma “faxina ética” sem precedentes. Assistimos, no dia a dia,  cenas inimagináveis e o que entendemos ser o limite da indecência a cada dia é superado. O relacionamento entre algumas empresas e integrantes da classe política atingiu um índice de promiscuidade superlativo e está sendo desnudado.

O acerto das medidas no combate à corrupção vem tendo o reconhecimento da cidadania. Os excessos têm que ser censurados – e a lei é o limite à atuação de cada um.

Infelizmente essa “faxina ética” tem tido um subproduto perverso: alguns atores (ou nem tanto), felizmente uma minoria - ainda que por osmose ou similaridade de função – estão com seus egos superdimensionados e consideram-se “divindades”, com direito a tudo, mesmo em detrimento às regras legais.

Certamente contagiado por esse “sentimento de onipotência”, o Dr. Sérgio Harris, presidente da Associação do Ministério Público do RS atacou a Ordem dos Advogados do Brasil e a advocacia. Arvorou-se em juiz do comportamento da OAB e ofendeu a todos os que nela militam.

Porque a Ordem defende a criminalização do desrespeito a prerrogativas estabelecidas em lei, o Dr. Harris investe de forma inaceitável contra a direção da instituição, emitindo conceitos injuriosos e fazendo comparações descabidas. Com sua manifestação destemperada, generaliza e atinge todos os advogados e advogadas do Brasil, de forma indiscriminada.

A atual gestão da OAB vem agindo em sintonia com a classe. Daí continuadamente pautar sua conduta na defesa dos interesses da cidadania que é representada pelos advogados. As prerrogativas se constituem em uma proteção legal ao cidadão para garantir que terá um julgamento justo e respeitadas suas garantias - tudo estritamente dentro da lei e da Constituição Federal.

A criminalização do desrespeito a elas, muito mais do que aos advogados, garante ao cidadão. O Dr. Harris parece não ter esse alcance de entendimento. É de se lamentar.

Há que se incentivar que a OAB nacional e seu presidente continuem agindo na defesa intransigente das prerrogativas, independentemente do que pensem “egos agigantados” ou “divindades de plantão”.

A história da OAB está e continua sendo pautada em uma linha de defesa da cidadania e do estado de direito. A atual gestão a vem honrando e dignificando. Por isso, seguirá contando com o apoio da classe. Tem que persistir, como no caso, na defesa das prerrogativas e no combate àqueles que as violarem, por mais poderosos que sejam ou se considerem.

Como propôs o Dr. César Peres, aqui mesmo no Espaço Vital, “quem não cometer crime contra as prerrogativas profissionais dos advogados não será processado”.

Por derradeiro, há que registrar que as advogadas e os advogados, independentemente da entidade de classe que tem o apoio de todos, estão indignados com justa razão e repelem os agravos que lhes foram dirigidos.


Comentários

Maria Cristina Manassi Da Conceição Brandolt - Advogada 12.09.17 | 21:14:53

Lamentável o deplorável e despropositado ataque - feito pelo promotor - à advocacia, aos advogados e às advogadas, que merece total reprovação pela OAB como instituição e pelos colegas advogados.

Banner publicitário

Notícias Relacionadas

Charge de Renato Peters

Teto desaba na vontade política

 

Teto desaba na vontade política

“O teto constitucional, limitado ao subsídio de ministro do STF, constitui uma norma esvaziada. Os próprios ministros da Suprema Corte são os primeiros a fazê-lo. Quando um deles acumula funções no TSE, passa a perceber verba que excede o teto”. Artigo do advogado Fábio Bittencourt da Rosa.

Um voto contra a corrupção

“Quando entra na conta a corrupção da elite político-empresarial, a percepção é muito maior. Pesquisa do Fórum Econômico Mundial colocou o Brasil como o 4º mais corrupto entre 141 países. No ranking de honestidade da Transparência Internacional, que avaliou 180 nações, o Brasil figurou na tímida 96ª posição”. Artigo de Deltan Dallagnol, mestre pela Harvard Law School e procurador da República (coordenador na Lava-Jato).

Cármen Lúcia fechou a roleta do STF

Jornalista Elio Gaspari revela, em artigo, as tentativas feitas por advogados – ao distribuírem ações e petições no Supremo. Os repetidos ajuizamentos, na esperança de que o caso caia nas mãos de um voto amigo. Ciência à OAB do “abuso do direito e defesa”.