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Edição (antecipada) de sexta-feira, 16 de fevereiro de 2018.

Subproduto perverso da faxina ética



Chargista Nani – www.NaniHumor.com

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Por Carlos Thomaz Ávila Albornoz, advogado (OAB-RS nº 6.425).
albornoz.adv@terra.com.br

O país vive um momento ímpar; está sendo feita uma “faxina ética” sem precedentes. Assistimos, no dia a dia,  cenas inimagináveis e o que entendemos ser o limite da indecência a cada dia é superado. O relacionamento entre algumas empresas e integrantes da classe política atingiu um índice de promiscuidade superlativo e está sendo desnudado.

O acerto das medidas no combate à corrupção vem tendo o reconhecimento da cidadania. Os excessos têm que ser censurados – e a lei é o limite à atuação de cada um.

Infelizmente essa “faxina ética” tem tido um subproduto perverso: alguns atores (ou nem tanto), felizmente uma minoria - ainda que por osmose ou similaridade de função – estão com seus egos superdimensionados e consideram-se “divindades”, com direito a tudo, mesmo em detrimento às regras legais.

Certamente contagiado por esse “sentimento de onipotência”, o Dr. Sérgio Harris, presidente da Associação do Ministério Público do RS atacou a Ordem dos Advogados do Brasil e a advocacia. Arvorou-se em juiz do comportamento da OAB e ofendeu a todos os que nela militam.

Porque a Ordem defende a criminalização do desrespeito a prerrogativas estabelecidas em lei, o Dr. Harris investe de forma inaceitável contra a direção da instituição, emitindo conceitos injuriosos e fazendo comparações descabidas. Com sua manifestação destemperada, generaliza e atinge todos os advogados e advogadas do Brasil, de forma indiscriminada.

A atual gestão da OAB vem agindo em sintonia com a classe. Daí continuadamente pautar sua conduta na defesa dos interesses da cidadania que é representada pelos advogados. As prerrogativas se constituem em uma proteção legal ao cidadão para garantir que terá um julgamento justo e respeitadas suas garantias - tudo estritamente dentro da lei e da Constituição Federal.

A criminalização do desrespeito a elas, muito mais do que aos advogados, garante ao cidadão. O Dr. Harris parece não ter esse alcance de entendimento. É de se lamentar.

Há que se incentivar que a OAB nacional e seu presidente continuem agindo na defesa intransigente das prerrogativas, independentemente do que pensem “egos agigantados” ou “divindades de plantão”.

A história da OAB está e continua sendo pautada em uma linha de defesa da cidadania e do estado de direito. A atual gestão a vem honrando e dignificando. Por isso, seguirá contando com o apoio da classe. Tem que persistir, como no caso, na defesa das prerrogativas e no combate àqueles que as violarem, por mais poderosos que sejam ou se considerem.

Como propôs o Dr. César Peres, aqui mesmo no Espaço Vital, “quem não cometer crime contra as prerrogativas profissionais dos advogados não será processado”.

Por derradeiro, há que registrar que as advogadas e os advogados, independentemente da entidade de classe que tem o apoio de todos, estão indignados com justa razão e repelem os agravos que lhes foram dirigidos.


Comentários

Maria Cristina Manassi Da Conceição Brandolt - Advogada 12.09.17 | 21:14:53
Lamentável o deplorável e despropositado ataque - feito pelo promotor - à advocacia, aos advogados e às advogadas, que merece total reprovação pela OAB como instituição e pelos colegas advogados.
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