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Edição terça-feira , 17 de julho de 2018.

Prato do dia: pizza judicial



Charge de Gerson Kauer

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Na pequena cidade gaúcha, a Pizzaria Passarinho era – para as cores locais – a melhor, para não dizer que fosse a única.  Produzia o trivial prato italiano, mas nem pensar em algo sofisticado como cobertura de frutos do mar. Mas ia...

A Reginaura era cliente da telentrega, mas foi cismando com a suposta perda de qualidade da pizza que chegava ora quente, ora morna, ora demorada, fria, murcha e sem gosto para o jantar dominical. E tanto foi que a Reginaura passou a ferrar a pizzaria, e seu dono,  nas redes sociais. Começou de mansinho, passou para os exageros e, logo, estava nas ofensas.

Via termo circunstanciado, o dono da pizzaria chegou ao Juizado Especial Criminal. O juiz designou audiência, na qual a Reginaura se apresentou impactantemente mal trajada: chinelos de dedos, short justo e curto, abdômen exposto (era avantajado, mas sem gravidez), mini blusa berrante etc.

Os personagens tradicionais da cena forense se olharam e admitiram, depois, terem lembrado de um caso ocorrido em Cascavel (PR). Foi quando o juiz do Trabalho Bento Luiz de Azambuja Moreira (atualmente titular da 21ª Vara do Trabalho de Curitiba), mandou para casa o reclamante que comparecera calçando chinelos.

O magistrado gaúcho, todavia, foi respeitoso e paciente. Logo sugeriu que uma retratação seria a melhor solução para todos. A Reginaura concordou e pediu licença para falar:

- Doutor, eu exagerei e me retrato. E estou aqui toda machucada porque levei uns tapas do meu marido, depois de um fresqueio virtual com uma turma no Facebook. Terminei descontando injustamente na pizzaria – disse mostrando marcas roxas nos braços.

Transação homologada, no dia seguinte a retratação foi publicada por Reginaura, em sua página: “Desculpo-me das afirmações inverídicas envolvendo a Pizzaria Passarinho, de quem nada tenho a reclamar em relação aos produtos e serviços prestados”.

Desagravado, o dono do estabelecimento mandou, à noite, uma caprichada caixa quentinha à casa da Reginaura. Era uma à “moda margherita”, de boa qualidade.

Foi assim que tudo acabou em pizza. Mas bem diferente daquelas pizzas dos políticos brasileiros, que só resolvem a sua avidez financeira e pisoteiam os ideais republicanos.


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