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Edição (antecipada) de quinta-feira, 11 de outubro de 2018.

Chiclete cor de rosa



Gerson Kauer

Imagem da Matéria

A sala do tribunal está lotada de advogados. Eles aguardam o início da sessão de julgamentos e os respectivos pregões de seus interesses.

Sentado, na primeira fila, bem à esquerda, um profissional da advocacia, conhecido por suas extravagâncias, aguarda a sua vez. No canto da boca, masca um chiclete rosa.

Não faz balões, mas repete o ritmado movimento do maxilar inferior – o que é suficiente para chamar a atenção da desembargadora que vai presidir a sessão.

- “Doutor, doutor”... – ela fita-lhe os olhos e diz baixinho, passando os dedos sutilmente sobre os lábios querendo chamar-lhe a atenção.

Ele parece não entender.

- “Doutor! A boca!” – insiste, em expressão labial, a magistrada, agora apontando seu dedo indicador aos próprios lábios.

Mas, talvez magnetizado ou por ironia, o advogado faz espocarem no ar vários “ploft, ploft”, tais quais múltiplos beijinhos mascados, a atender, às avessas, o recado judicial.

A magistrada presidente resolve, então, ser publicamente clara:

- Peço aos presentes notarem que o mastigar de chicletes, em uma sessão de julgamentos, é antiprotocolar. E o espocar de bolas de mascar causa, naturalmente, um incômodo. Espero que me compreendam.

O olhar de todos concentra-se sobre o personagem. Este, afinal, alcançado pelo recado direto, levanta-se, sai de fininho, e desiste de sustentar a causa de seu interesse.

Na “rádio-corredor” da corte o advogado ficou conhecido como o “Doutor Muricy Ramalho”, numa clara comparação com os trejeitos bucais do famoso ex-treinador de futebol e agora comentarista do SporTv.


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