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Terça-Feira, 19 setembro de 2017

Ex-senador é solto e recorre de condenação por abuso sexual



O ex-deputado estadual e ex-senador do Tocantins Manoel Alencar Neto (PSB-TO) mais conhecido como Nezinho Alencar, ganhou liberdade na tarde de sexta-feira (4). Ele foi condenado a mais de 27 anos de prisão por abusar sexualmente de duas crianças em uma fazenda, mas recorreu da decisão.

O réu teve liminar em um habeas corpus deferida pelo desembargador José Moura Filho, que concedeu a suspensão do cumprimento imediato da pena.

Os abusos sexuais teriam aconteceu no início do ano passado. Na época dos fatos, as vítimas tinham 6 e 9 anos.

Nezinho Alencar e a mulher dele foram presos no dia 23 de janeiro do ano passado durante a operação Confiar, da Polícia Federal, mas em março do mesmo ano, ele foi solto após pagar uma fiança de R$ 22 mil. A mulher dele foi solta antes, no dia 4 de fevereiro.

A denúncia de que o ex-senador estava envolvido no crime de abuso sexual partiu do próprio pai das crianças. Para provar o fato, o pai deixou um celular escondido em uma árvore, antes de sair para trabalhar.

As imagens mostram o momento em que as crianças estão sentadas no colo do suspeito. Ele coloca a mão nas partes íntimas das meninas. Conforme o MPE, o ex-senador também beijava a menina mais nova na boca e ameaçava as crianças para que não contassem sobre os abusos.

Segundo relatos de testemunhas, os crimes aconteceram várias vezes, entre os meses de dezembro de 2015 e janeiro de 2016, sendo praticados com maior frequência contra a menina mais nova.

O caso chegou a ser exibido no Fantástico. A reportagem mostra o vídeo que o pai gravou depois que soube dos abusos. Nezinho Alencar deu a sua versão dos fatos. "Eu fui senador da República, tive uma representatividade no Estado de homem renomado, agora querem me incriminar. Eu estou sendo julgado pelo que eu represento. Se eu não fosse ninguém, isso não estava na Globo".

Nezinho negou as acusações e disse que foi vítima. "Eu fui vítima de uma armadilha. Aquelas crianças estavam torpedeando, pisando, passando a mão em mim, me agarrando. E eu extremamente desacordado, não vi absolutamente nada. As imagens foram montadas. As crianças foram induzidas fazendo um verdadeiro malabarismo, foram conduzidas como atrizes para me induzir àquelas cenas".

O pai das crianças contou que, primeiro, desconfiou dos abusos, depois presenciou. "Sentou debaixo do pé de manga. Aí começou a abusar das meninas e eu olhando de dentro do quarto, da janela. A minha reação? Eu peguei a espingarda, botei no rumo dele, sem ele perceber porque eu estava dentro de casa. Puxei o gatilho e pensei: 'ou eu mato ou eu não mato'? Aí abaixei a espingarda e deixei quieto. Aí fui pensar em comprar um telefone para gravar e poder pegar ele".


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O inquérito chegou ao STF em 21 de agosto de 2015. Ontem, dois anos depois, por unanimidade, a 2ª Turma transformou o caso em ação penal. Conforme a denúncia, o grupo do senador embolsou vultosa propina entre 2010 e 2014, por meio de contratos de troca de bandeira de postos de combustível celebrados com a BR Distribuidora.