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Sexta-Feira, 17 de Novembro de 2017
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Chargista Ivan Cabral

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Não bebo e não beberei daquele refrigerante que dizem ser o mais vendido no Mundo. Já bebi, misturado a destilados fortes, no tempo da “Cuba Libre” e do “Samba”. Mas não mais: tem aparência de esgoto, cheiro de cachorro molhado e sabor de banana podre. É, provavelmente, o maior triunfo da propaganda (e da química) em todos os tempos, esse da beberagem ruim, malcheirosa e insalubre sobre todos os nutritivos, deliciosos e saudáveis sucos.

Nunca reservarei um quarto através daquele sítio digital que oferece todos os hotéis do orbe pelo menor preço, o dia inteiro (e a noite também) em meio a todos os programas, em todos os canais televisivos. Há mil formas de escolher hospedagem sem tutela eletrônica e sem pagar comissão a atravessadores e picaretas. E sem aquela incômoda sensação de fazer parte da manada submissa.

Já ajudei com dinheiro uma organização caritativa cujos resultados até hoje admiro. Não lhe dou mais um tostão, desde quanto descobri que, das contribuições desembolsadas por otários como eu, sessenta por cento ficavam pelo caminho. Esse é o percentual represado por intermediários, divulgadores e bicões em geral – aos quais pouco se lhes dá que a assistência prestada na ponta beneficie cem ou dez carentes, ou nenhum. Hoje, trato de saber muito bem a quem ajudo, sem intermediação.

Algumas grandes empresas – bancos, operadoras de telefonia, fornecedores de bens e serviços imprescindíveis – competem entre si pela preferência da clientela, mas a publicidade de cada uma delas é rigorosamente idêntica à das demais. Não há muito o que inventar, e o consumidor está previamente condenado a ser vítima de uma delas. Se omitida a referência ao agente, ou a algum pequeno detalhe, slogan ou logotipo, todos os anúncios se igualam (como, de resto, os próprios serviços).

Quando o telefone toca, já sei da probabilidade de ser alguém vendendo o que não quero nem preciso. O dispositivo de correio eletrônico abarrotado de lixo publicitário é uma das maldições do nosso tempo, e filtro algum (mesmo o anunciado como o melhor de todos) nos livra dela. Duas grandes invenções – a propaganda e a internet – conjugaram-se para confirmar o que dissera Sartre: o inferno são os outros.

Se a esses ingredientes agregarmos um terceiro, o político, chegamos à perfeição: a propaganda eleitoral. Não importa qual seja, a de João Santana e Marcos Valério ou aquela que interrompe a programação do horário nobre para mostrar imagens e discursos invariáveis, mostrando ao público que é possível um mundo perfeito desde que você vote no Fulano. Não vem ao caso se esse abnegado benfeitor é um daqueles que, minutos antes ou depois, protagonizam as notícias mais arrepiantes.

Tenho especial aversão à publicidade governamental, sustentáculo maior das agências especializadas. E sei bem por quê: nunca logrei compreender a necessidade que possa ter um governo, entidade sem competidores, de apregoar suas virtudes. O erário quebrado, inadimplente contumaz e assumido, gasta o que não tem em anúncios de página inteira (ou minuto inteiro) que ninguém vê. Provavelmente, caloteará também os pregoeiros do Estado de todos”.

Admiro trabalhos feitos com talento, dedicação e competência. Tive certa proximidade com Rodolfo Martensen, pioneiro da teorização do marketing no Brasil e pessoa excelente. Mas sua obra tomou rumos que ele não imaginaria; o meio tornou-se fim em si mesmo e hoje mais atormenta do que ajuda. Justiça se faça ao velho sonhador: a praga teria vindo mesmo sem os seus feitos, pois o fenômeno não é exclusivo do nosso País. Se aqui avançou mais, foi por conta da Lei de Gerson.


Comentários

Luis Roberto N. Padilla - Professor Faculdade Direito Ufrgs 22.05.17 | 19:28:59
O que acontece no Brasil, até agora, é resultado da 5GW, a Guerra de 5ª Geração. A estratégia do inimigo é vencer mediante anular a capacidade de lutar e as armas usadas são a desinformação e os paradoxos entorpecedores. Observe o povo: apático, em estado de letargia pela H.E.M. - Hipnose em Massa - com técnicas de marketing de 3ª geração e estratégias biotecnológicas para reduzir a capacidade cognitiva.
Giovani Lucian - Advogado 19.05.17 | 11:30:03
Sempre tive semelhantes conceitos e interpretações sobre essa publicidade de massa. Ou de boiada. Às vezes, considerações acerca das propagandas governamentais eu incluiria as das estatais. O que se viu durante a Copa do Mundo e as Olimpíadas, foi quase um "monopólio publicitário" dos monopólios (ou quase) estatais. Eram poucas propagandas privadas que ousavam se entremear entre os reclames da Petrobrás, dos Correios, da Caixa e do Banco do Brasil. A promiscuidade entre agências e governos...
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