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Edição de terça-feira , 25 de setembro de 2018.

Amélia, a mulher de verdade



Charge de Gerson Kauer

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Depois de oito anos de um relacionamento íntimo interessante, médico e professora se desavieram financeiramente na hora da separação e a questão foi a Juízo. O juiz julgou improcedente o pedido da mulher, declaratório de dissolução de união estável, cumulado com partilha de bens.

Para o magistrado, “tal união somente é reconhecida se o casal teve a intenção, quando estavam juntos, de constituir família”. O julgado acolheu a tese contestatória de que “a existência de um relacionamento amoroso longo, contínuo e de conhecimento público não basta para provar a união estável”.

O caso chegou ao TJ. O relator confirmou a sentença, mas a revisora divergiu. “Essa mulher deveria ser chamada de Amélia e não de Ângela como está escrito em sua certidão de nascimento”. Nessa linha, a desembargadora afirmou “a existência de provas inequívocas da união estável, tanto que ela pediu licença-prêmio no magistério para cuidar do ex-companheiro durante o período em que ele esteve doente - comprovando dessa forma o envolvimento familiar. Ela não tinha a menor vaidade, ela era mulher de verdade”.

Detalhe: nas compras de supermercados – que faziam juntos – sempre o gasto maior era pago por ela. Talvez o médico fosse pão-duro...

O vogal confirmou a improcedência: “Ainda que ambos fossem livres e desimpedidos - ela solteira e ele divorciado - permaneceram administrando separadamente suas vidas, tanto que até mesmo as compras em supermercado eram pagas individualmente”.

E repetiu, da sentença, a afirmativa de que “o médico manteve outros achegos durante o período em que durou o relacionamento com a professora - com o que a relação não ultrapassou a seara do namoro, ora firme, ora escorregadio e descompromissado”.

A desembargadora revisora quis consolar: “Pobre Amélia!” – disse.

Proclamado o resultado, o advogado do médico, satisfeito com a vitória judicial, tirou a beca e tamborilou os dedos na pasta.

E parodiando, saiu evocando estrofes conhecidas da música de Mário Lago e Ataulfo Alves:

“Nunca vi fazer tanta exigência /
Nem fazer o que esta mulher faz /
Ela não sabe o que é consciência /
Nem vê que o médico é um pobre rapaz”.

O advogado levou uma alfinetada do presidente: “Doutor, aqui não! Se cabível, faça a comemoração em seu escritório”.


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