| |
O Conselho Nacional de Justiça decidiu, ontem (15), investigar o juiz Edilson
Rumbelsperger Rodrigues, que ganhou notoriedade nacional por ter chamado a Lei
Maria da Penha de “regras diabólicas” e ter dito que as “desgraças humanas
começaram por causa da mulher”. Por fim, Rodrigues ainda classificou a Lei Maria
da Penha de "monstrengo tinhoso".
O CNJ abriu processo administrativo
disciplinar depois que o Tribunal de Justiça de Minas Gerais arquivou o caso. O
processo ainda não foi analisado no mérito, mas o relator Marcelo Neves adiantou
que “trata-se de uma denúncia grave de discriminação à mulher”. A decisão de
abrir a processo disciplinar foi unânime.
Segundo o relator, o juiz está
passível - em tese - de sofrer as punições do artigo 41 da Lei Orgânica da
Magistratura. Pela lei, o magistrado que utilizar linguagem imprópria poderá ser
advertido, censurado e até mesmo exonerado. Na sessão desta terça-feira, os
conselheiros do CNJ chegaram a discutir a possibilidade afastar o juiz
preventivamente, mas optaram para, primeiro, irem ao julgamento do mérito.
O
CNJ analisará se as declarações de Rodrigues são ofensivas ao público feminino.
Em uma sentença, por exemplo, o juiz escreveu que o “mundo é masculino”. Além
disso, chamou a Lei Maria da Penha de inconstitucional e se recusou a aplicá-la.
Os conselheiros discutirão se os termos usados pelo juiz foram ofensivos.
O
CNJ, contudo, não poderá discutir o mérito da sentença – mesmo que decidam que o
texto foi agressivo à honra das mulheres, porque se trata de matéria
jurisdicional. Vários desses julgados já foram revertidos pelo TJ-MG, mas ficou
a pecha de discriminação.
Mesmo assim, o conselheiro Marcelo Neves disse que
"o caso do juiz de Sete Lagoas é análogo a racismo, é uma situação grave de
preconceito, análoga à discriminação racial - só que nesse caso é uma
discriminação de gênero”.
As declarações do juiz Edilson Rumbelsperger
Rodrigues foram publicadas pelos jornais O Tempo (MG) e Folha de S.Paulo, em
2007. Em uma sentença, o juiz escreveu que o controle sobre a violência contra a
mulher tornará o homem um tolo. "Para não se ver eventualmente envolvido nas
armadilhas dessa lei absurda, o homem terá de se manter tolo, mole, no sentido
de se ver na contingência de ter de ceder facilmente às pressões", escreveu o
juiz.
Nas decisões, o juiz também demonstrou receio com o futuro da família.
"A vingar esse conjunto de regras diabólicas, a família estará em perigo, como
inclusive já está: desfacelada, os filhos sem regras, porque sem pais; o homem
subjugado." (RD nº 2008.10.00.000355-9).
............................
Leia a matéria
seguinte
............................
“Homem também tem fragilidades” - diz o magistrado
de Minas Gerais
Em vigor há mais de um ano, desde 07 de agosto
de 2006, a Lei nº 11.340 - mais conhecida como Lei Maria da Penha - tornou mais
rigorosa a punição para os acusados de violência contra a mulher. Mas na cidade
mineira de Sete Lagoas, um juiz começou a questionar a constitucionalidade do
texto.
Para Edilson Rumbelsperger Rodrigues, titular da 1ª Vara Criminal da
cidade, "as fragilidades do homem deveriam também estar contempladas na lei".
"Por que ela é inconstitucional? Porque ela contempla exclusivamente a
mulher nessa relação doméstica. Bastava ter um artigo só nesta lei que
contemplasse, disciplinasse, regulamentasse a fragilidade do homem nessa
relação. Ela poderia ser até injusta, mas não inconstitucional porque estaria
contemplando os dois membros desta família", disse o magistrado em entrevista à
repórter Patricia Giudice, do jornal O Tempo. Dezenas de decisões proferidas
pelo juiz Edison foram atacadas por recurso.
Em regra, o juiz usa o mesmo
arcabouço para não deferir os pedidos feitos com base na Lei nº 11.340/2006:
"esta Lei Maria da Penha - como posta ou editada - é de uma heresia manifesta.
Herética porque é antiética; herética porque fere a lógica de Deus; herética
porque é inconstitucional e por tudo isso flagrantemente injusta".
Aos 54
de idade e com 19 de magistratura, o juiz Edilson Rumbelsperger Rodrigues, autor
das polêmicas decisões, recebeu a repórter no foro do município. Várias imagens
cristãs adornam o pequeno tribunal onde a equipe o aguardou para a entrevista.
Na mesa, revistas eclesiásticas remetem a uma devoção a Nossa Senhora de Fátima.
O magistrado mostrou sua firme posição sobre a Lei Maria da Penha, sempre ao som
de uma suave música sacra.
Confira na entrevista abaixo as opiniões
dele.
O TEMPO: Quais os problemas da Lei Maria da Penha?
EDILSON
RODRIGUES: Essa lei é um absurdo, no meu modo de pensar. Talvez isso chegue até
o Supremo Tribunal Federal e é até interessante que chegue. Na decisão (de um
dos casos julgados), quando se lê pela primeira vez, sofre um impacto e pensa
´Esse cara tem raiva da mulher, é insensível quanto ao drama da mulher´. Mas não
é bem assim porque eu mesmo na decisão admito as fragilidades masculinas, não
estou aqui como um superhomem ou um machista ou um machão. Na decisão, a gente
discorre que o homem é que tem fragilidades. Houve um início de análise ética,
filosófica e até religiosa na questão, mas na parte propriamente jurídica da
coisa, eu mostro que a lei é inconstitucional porque o homem também tem
fragilidades. Olha o que a constituição fala: "O Estado assegurará assistência à
família na pessoa de cada um dos que a integram, criando mecanismos para coibir
a violência no âmbito das suas relações."
OT - Então, por que ela é
inconstitucional?
EDILSON - Porque ela contempla exclusivamente a mulher
nessa relação doméstica.
OT - O que o senhor chama de fragilidades do
homem?
EDILSON - Nós homens temos fragilidades, inseguranças. Será que
nenhum homem é vítima de uma mulher maldosa? Será que não existem mulheres
pérfidas assim como homens pérfidos? O que estou contemplando aqui é apenas a
igualdade. Lá atrás, no século XVIII, XIX, o homem era muito cruel e a mulher
extremamente submissa ao homem. Ele não soube valorizar isso. Muito pelo
contrário. Ele foi muito cruel com a mulher, mandava ela tirar a bota dele e
nisso surgiram os movimentos feministas, a libertação feminina. Então vamos
inverter agora? Porque o homem errou lá atrás, então vamos dar todos os poderes
à mulher e humilhar, pisar na sensibilidade desse homem! Não é por aí... Vamos
equilibrar as coisas, senão todos os erros que o homem teve no passado a mulher
vai cometer agora, segundo essa Lei Maria da Penha.
OT - Mas o senhor
concorda que antes da Lei Maria da Penha o homem que agredia a mulher não era
devidamente condenado?
EDILSON - Não é verdade que antes da Lei Maria da
Penha o homem não era julgado como devia. A penalização criminal desse marido
violento não mudou absolutamente nada com a lei. O que há são medidas
protetivas, de caráter relacional entre os dois que a lei não tratava antes.
Estamos processando o autor da violência da mesma forma, com uma diferença: a
lei fala que deve tramitar mais rápido. Não aplico as medidas protetivas da Lei
Maria da Penha por inconstitucionalidade e falta de isonomia com o homem. Eu não
estou aplicando por considerar a lei inconstitucional na medida que ela trata
apenas da mulher e não do homem na relação doméstica. A violência física contra
ela está sendo processada normalmente.
OT - O senhor interpreta que o
homem também deveria ser protegido pela Lei Maria da Penha?
EDILSON - Em
termos de medidas protetivas, ela regulamenta a fragilidade da mulher, que a
gente não precisa discorrer aqui, já que são óbvias. Ela também devia discorrer
sobre as fragilidades masculinas. A mulher tem um milhão de fragilidades e o
homem pode ter apenas três, mas elas têm que estar previstas, aí ela seria uma
lei constitucional. Não sou eu que quero assim, a Constituição fala que o Estado
assegurará assistência à família na pessoa de cada um dos seus membros. A
família não é composta só pela mulher ou só pelo marido. Ela é composta pelo
filho, pelo marido, pela mulher.
OT - Sua posição é isolada?
EDILSON - Do ponto de vista jurídico, na minha opinião, não tem
mistério, não tem problema, acho até que boa parte da intelectualidade jurídica
questiona a constitucionalidade da Lei Maria da Penha. Minha opinião não é
isolada. Será possível que uma mulher na relação doméstica com o seu marido não
causa dano emocional a ele, não diminui a auto-estima dele nunca? A mulher é
mais frágil nesta relação? De repente até é, mas dizer que a mulher é incapaz em
uma relação doméstica de causar dano emocional ao seu marido é um absurdo. Não
sou contra os artigos da lei, sou contra essas medidas protetivas porque elas
não contemplaram o homem. O que essa lei vem ratificar e sacramentar? A mulher
independente. A mulher que não precisa de marido, a mulher que cria o seu filho
e não precisa de homem. O lema da mulher independente, que não precisa de homem,
que não precisa de nada, que trabalha, que sustenta seus filhos. Não é por aí, a
natureza não é bem assim. Significa então que vocês não têm que se realizar como
ser?
OT - Na sua opinião, quais os anseios da mulher?
EDILSON -
Estou colocando uma polêmica na mesa, uma coisa para se pensar. Cadê a tarefa
importantíssima de você cuidar do seu lar? Será que você ou fica em casa no
tanque ou então passa o dia se realizando na sua profissão? Não tem um meio
termo? Acho que a mulher gosta de ser amada, se realizar como mulher. A mulher
gosta de se realizar como profissional? Gosta. Ela quer isso para si? Quer. É
bom que ela queira? É bom que ela queira. Mas fundamentalmente a mulher quer se
sentir realizada como mulher. Ainda que ser realizada como mulher passa por uma
realização profissional. Mas essa não é a natureza na mulher. Acho que elas
estão sendo usadas por uma sociedade demagógica.
OT - O senhor acha
então preciso a mulher ter limite na sua independência?
EDILSON - Acho
que precisa sim ter um limite. Se você quer se realizar profissionalmente,
realize. Mas eu como homem digo para você mulher, que o mais importante para
você não é isso. O mais importante é se realizar como mulher, como um ser
feminino. Posso me realizar muito com uma mulher que eu desejo muito, vou me
sentir realizado como homem, mas o que vai me realizar mais como homem é
trabalhar. Sair de casa, dar sustento à minha família, isso é o que me realiza
mais.
Mas, se eu tivesse a mulher que desejo, mas não tivesse condições
de dar ao meu filho, minha família, minha esposa o conforto que eles merecem,
essa mulher não ia me completar. Eu seria um homem absolutamente infeliz. Agora
vamos falar da mulher. Se a mulher se realizar como profissional, se sentirá
feliz, evidentemente. Mas o ideal é que você se sinta realizada como mulher,
como ser feminino, e como profissional. Mas, na minha opinião, se você for uma
mulher extremamente bem-sucedida na sua profissão, mas for infeliz enquanto
mulher, não vai adiantar.
OT - O que o senhor chama de "ser mulher"?
EDILSON - É se realizar como ser feminino, ser amada, ter um homem que a
ame, ser feliz na relação com o seu companheiro que tanto a ama, ser tratada com
respeito por este homem. Ter no seu marido um homem compreensível e muito
carinhoso, uma mulher que se sinta realizada sexualmente com o seu companheiro.
Isso, na minha visão, é a grande realização feminina. O que não significa que se
ela não fizer isso ela não será nada, não estou dizendo isso. É um conjunto. Mas
isso é mais importante para ela.
OT - O senhor defende a submissão
feminina?
EDILSON - Acho que a mulher tinha que voltar àquela submissão
de antigamente, mas o homem não permitindo que ela seja como ele foi no passado.
Ela seria essa mulher que se entrega por inteiro ao homem que ama, que ela
escolheu para ela. Mas só que esse homem não vai cometer o mesmo erro do
passado. Para não acontecer o que está acontecendo hoje, se aquela mulher do
passado vier tirar a bota do homem, ele vai dizer: ´Não meu amor, não vou deixar
você fazer isso, não vou permitir uma humilhação dessa porque eu te amo´. Se o
homem simbolicamente tivesse agido dessa maneira lá atrás, as mulheres não
estariam querendo ser tão independentes como hoje. Reconhecemos esse erro e daí?
Vem a Lei Maria da Penha e está fazendo o contrário. Eu reconheço que a culpa é
do homem que não valorizou essa mulher dócil e fiel a ele, que se doou por
inteiro àquele homem. Ele agora está sofrendo e daí? Ela vai cometer os mesmos
erros deles do passado?
LEIA A MATÉRIA NA ÍNTEGRA, NA ORIGEM