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Surpresa: TJRS exonera o médico Plínio Carlos Baú

(31.03.09)

Divulgação - Hosp. M. Vento

Foi um dia de surpresas e tristeza - de consternação, até, entre os funcionários - no Departamento Médico do TJRS, ontem. A atual gestão do tribunal - sem revelar os motivos - exonerou Plínio Carlos Baú do cargo de médico da corte, onde atuava havia cerca de 20 anos, tendo sido supervisor do DMJ. Era ocupante de um cargo em comissão e nessa e nas demais atividades fez - e manteve - um enorme círculo de amigos.

Formado em 1976, na segunda turma de médicos da PUC-RS, Baú sempre tem afirmado que "o sucesso de qualquer empreendimento depende de três variáveis que podemos controlar:  presença, competência e transcendência".

Sempre teve uma palavra de estímulo aos mais pobres que iam ao DMJ para se submeterem a exames periciais necessários à instrução de ações judiciais.

Mestre em Educação e doutor em Cirurgia pela PUC, atua como cirurgião geral, chefe do Serviço de Cirurgia Geral do Hospital São Lucas da PUC-RS, bem como do Serviço de Cirurgia do Aparelho Digestivo.

No referido hospital sempre se conta a história de um paciente que desejava saber quem era São Lucas, que dera o nome ao nosocômio. O fato real é contado pelo próprio Plínio, em seu saite. (www.drplinio.med.br).

São Lucas e a insônia

Por Plínio Carlos Baú,
médico

Há cerca de doze anos, um paciente idoso, já no ocaso da sua existência e que, periodicamente era internado por complicações do diabete, teve uma noite de insônia.

Calçou os chinelos, vestiu o roupão e, alta madrugada, saiu do quarto indagando, a quem encontrasse, quem era São Lucas.

Como não encontrou resposta entre os sonolentos funcionários do seu andar, foi descendo todos os andares, perguntando , afinal, quem era o santo que dava o nome ao hospital. Percorreu todo o trajeto, do nono andar ao térreo, inquirindo a auxiliares, técnicos, funcionários da nutrição, seguranças, familiares de outros pacientes, quem era São Lucas.

Amanhecia o dia, quando, derrotado em sua incursão, exausto, retornou ao seu quarto.

Foi assim que o encontrei na manhã em que fui visitá-lo. Estava muito amuado, e foi logo disparando:

 - Droga de hospital! Ninguém sabe quem é o santo!

E relatou-me a sua aventura noturna.

Continuou:

- Fui até a capela. Não encontrei nem um santinho ou imagem, ou alguém que me explicasse quem é São Lucas...”

Expliquei-lhe, do meu modo, que São Lucas era um apóstolo de Jesus, que tinha algum pendor em cuidar de doentes, e por isso era considerado o médico da turma dos doze. Tratava-se do santo padroeiro dos médicos.

Cerca de um ano depois, o paciente faleceu em sua cidade de origem, rodeado por muito carinho da família e dos muitos amigos que fizera em vida. Na véspera do seu falecimento, num dos últimos atos de lucidez, chamou a esposa e pediu que ela providenciasse uma imagem de São Lucas para o hospital que tantas vezes e tão bem o acolhera.

Este último desejo foi atendido e, com o auxílio do Irmão Erno Cristh, fez-se a encomenda a um escultor de origem austríaca residente em Treze Tílias, Santa Catarina, conhecido como Sr.Mosel.

Hoje, o santo assiste tranqüilo a todas as pessoas que circulam pelo saguão do nosso hospital e aquele velho morreu em paz. Foi um homem honesto, muito simples e bom.

Era meu pai.

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(*) E-mail: pliniobau@via-rs.net

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