Ir para o conteúdo principal

Edição antecipada 21-22 de junho de 2018.

O caixão das gavetas secretas



Charge de Gerson Kauer

Imagem da Matéria

Por Mauricio Antonacci Krieger, advogado (OAB-RS nº 73.357)

No leito da morte, Wilsom chama um de seus filhos a quem entrega uma carta. Nela pede que seu desejo, ali escrito, seja inteiramente atendido. Poucos minutos depois, o idoso morre. O filho abre o envelope e percebe -  qual testamento - o desejo do pai em dividir a herança e... um pedido inusitado: ser sepultado em um caixão, com duas escamoteadas gavetas, que já mandara fazer e deixara pronto.

No testamento particular, breves instruções com um pequeno mapa sinalizando o local onde estavam escondidos cinco mil dólares; estes deveriam ser colocados dentro das duas gavetas do caixão excêntrico e fechadas com cadeados. Destes, as chaves deveriam ser jogadas no rio que margeia a cidade. 

O documento insiste para que o desejo de última vontade seja cumprido, pois Wilsom era devedor dessa quantia para um irmão que falecera em 2010. No arremate, uma frase: “Quando eu chegar ´lá em cima´ quero acertar as contas com o mano, fazendo as pazes, assim vivendo nós em harmonia eterna”.

O filho segue as instruções do pai e o enterro acontece como o planejado: o provecto senhor é sepultado com os dólares dentro das duas gavetas do caixão.  Uma semana depois, outro filho de Wilsom entra com ação judicial, requerendo a exumação para a retirada de todo o dinheiro, arrolando-o no inventário, para futura partilha.

Há necessidade de urgência na prestação jurisdicional, a fim de evitar o furto, visto que muita gente sabe da história” – arremata a petição.

O filho que fizera o sepultamento do pai, contesta. Alega que a última vontade do genitor vale mais do que a quantia enterrada. O caso, ainda sem definição judicial, está sendo analisado por uma Vara de Família gaúcha. Muitos duvidam que o dinheiro ainda esteja lá.  

Na “rádio-corredor ”forense, palpiteiros tentam adivinhar a futura decisão judicial - que poderá abrir precedentes para que muitos outros “pão-duros” também enterrem joias e pertences.

Por enquanto, o administrador do cemitério exerce com lealdade suas funções de “fiel depositário do esquife e todo o seu conteúdo”.


Comentários

Banner publicitário

Notícias Relacionadas

Charge de Gerson Kauer

Distribuição de chupeta (s)

 

Distribuição de chupeta (s)

A entrega de chupeta a um médico que, em audiência, se opunha à pensão alimentícia que teria que pagar. Mas - segundo a “rádio-corredor” forense - os bicos ortodônticos também eram oferecidos pelo juiz a advogados com quem ele estaria em linha de confronto jurídico. 

Charge Gerson kauer

Mulher juíza, não!

 

Mulher juíza, não!

Caro leitor(a), palpite onde ocorreu. Envie o cupom eletrônico, depois de ler a história de um ´machista´ que – durante audiência - deixou em polvorosa uma magistrada, uma promotora, uma defensora pública, uma escrevente e uma estagiária. Ele era acusado de crime ambiental: maus tratos contra o seu próprio cavalo.

Charge de Gerson Kauer

   Recurso especial com sabor de queijo francês

 

Recurso especial com sabor de queijo francês

Não se tratou do já tolerado erro do “copia e cola”. Era uma folha à parte, íntegra e autêntica, contendo um ensinamento culinário: “Em uma tigela, misture três tomates maduros, três colheres de azeite e três colheres de manjericão fresco picado”.

Gerson Kauer

Reunião da turma de Direito

 

Reunião da turma de Direito

Por que, de 1988 a 2018, o mesmo grupo de advogados (as), magistrados(as) e promotores(as) decidiu, a cada dez anos, sempre comemorar o aniversário de formatura na... churrascaria Picanha Excelência.

Charge de Gerson Kauer

Barbatimão jurídico

 

Barbatimão jurídico

Em processo de divórcio litigioso, o estagiário – que sempre faz minuciosos projetos de sentença - deparou-se, estupefato, em meio às petições, com uma confidência que um dos advogados da causa fizera à sua dileta noiva. Era mais um caso de erro do “copia e cola”

Charge de Gerson Kauer

Exagero na relação conjugal

 

Exagero na relação conjugal

Meia-noite de uma sexta-feira, Sua Excelência e a esposa – ele cinquentão, ela quarentona - tentam apimentar o relacionamento sexual. Por isso combinam que ela, em decúbito ventral, será algemada num dos decorativos vãos da cabeceira da própria cama do casal