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Edição de sexta-feira , 21 de setembro de 2018.
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Dia da Mulher



Chargista Duke

Imagem da Matéria

Disse o gaúcho, com rompante e sotaque acastelhanados: “Lá na minha terra, tudo é macho, tchê!”

Retrucou o mineirinho, com voz mansa: “Uai, lá nas Gerais é meio a meio... E tá tão bão!”

Fico com o caipirinha: dividido é bem melhor.

Às mulheres, perdoamos tudo, até o feminismo extremado que chega por vezes a masculinizá-las. Todos nós, homens, ocultando nosso despeito sob o manto da falocracia e da presunção de superioridade, temos em nosso altar íntimo pelo menos uma mulher, provavelmente duas, talvez muitas.

Elas nos suavizam, atenuam nossas asperezas e adoçam nossa vida. Não é só a reprodução, a literatura e o cinema que se tornariam impossíveis sem elas; é a própria existência.

Dia da Mulher é desimportante, como todas as datas convencionalmente estabelecidas. Mas é boa oportunidade para fazermos um exame de consciência e avaliarmos tudo o que nos seria amputado sem a presença de nossas queridas. Minha mulher compreenderá que, hoje, eu abrace e beije todas as outras (metaforicamente, é claro). Todas merecem.

· * * * *

Nosso inefável Michel, dono de uma popularidade que oscila de três a onze por cento, a depender dos horripilantes termos de comparação que nos têm sido propostos, explica que não houve qualquer quebra de sigilo no acesso de seus defensores a informações judiciais sigilosas. Foi tudo resultado de intuição.

Detalhando, ele mesmo se corrige para afirmar adiante que o trabalho foi de dedução, a partir de dados que o próprio Poder Judiciário disponibiliza em rede.

Seja como for, há falha grave, ou na segurança dos dados reservados, ou na lisura dos caminhos percorridos para obter esse resultado. Dados os antecedentes de Sua Excelência, parece mais aceitável a segunda hipótese, embora a Suprema Corte também não esteja fazendo por merecer grande crédito.

· * * * *

Cai o rei de ouros, cai o rei de espadas, cai não fica nada... Ecoa na memória a voz da incomparável Elis, quando os reis continuam a cair sem parar, ao modo de um castelo de cartas. Agora foi Bendine, o almofadinha cujo caráter vem estampado na cara. O êxito desse pilantra notório, alçado a algumas das posições mais altas e bem-remuneradas da República, insulta a cidadania e traça o retrato moral de um governo.

Não cabe comemorar a desgraça de ninguém; não nos apraz a atitude mesquinha e revanchista de ficar curtindo a imagem de figurões a arrastar correntes. Mas é bom saber que alguma justiça ainda se faz.

· * * * *

Nosso também inefável governador divulga e comemora, como “legado” de sua administração, um certo “acordo de resultados”, que ninguém sabe direito o que é, mas cheira muito a um requentado discurso de campanha. É só um papel a mais, apregoado com muita pompa e circunstância. Compreende-se: à falta absoluta de resultados propriamente ditos, festeja-se a intenção de buscá-los.

Também se propala, ainda na órbita da burocracia gaudéria, que não são possíveis milagres na área de segurança pública. Discordo com respeitosa vênia: já se alcançou o milagre de aumentar recursos diminuindo serviços. Parece também haver crescido o número de horas voadas dos helicópteros, na mesma proporção em que se incrementam os homicídios, latrocínios e explosão de bancos e carros fortes.

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Descobre-se um motel carcerário no Rio, com direito a camas redondas, luzes coloridas e coraçõezinhos.

É só no Rio? O modelito é tentador.

* * * * *

Mas há também outras notícias. As novas profissões (influencers, youtubers, stylists, todas com charmosas designações em idioma gringo) aparentemente estão progredindo. Descubro na rede mundial uma outra, esta com denominação cabocla: “orientador jurídico” para os incautos. Uma espécie de advogado, suponho, isento dos dispêndios, formalidades e chateações da corporação do ofício.

Imagino que a OAB, que o amigo Lamachia vem timoneando com exemplar lucidez e competência, esteja atenta.


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