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Terça-feira, 26 de Maio de 2015

O professor Noé, a arca e o embarque do burro


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Esta é daquelas histórias que muita gente vai até duvidar da veracidade, mas que também por isso – ou talvez justamente por isso - merece ser contada.

Prova oral de um concurso para ingresso no Ministério Público. Composta a banca examinadora, o candidato que recebera a nota mais elevada na prova escrita e que era o terceiro melhor colocado na pontuação geral passa a ser arguido e, já de início, demonstra seu nervosismo. Empaca ao responder a um questionamento sobre as prerrogativas do promotor.

A banca é presidida por um notório procurador de Justiça, que fora professor de Direito Penal do candidato, na faculdade. É pessoa de fácil trato e que, como docente, jamais economizara esforços para dividir seus amplos conhecimentos jurídicos.

Percebendo a dificuldade de seu ex-aluno, o presidente da banca lhe diz:

- O senhor fique à vontade, está entre conhecidos e não temos pressa. Ademais, o professor e o examinador são o mesmo Noé que o senhor conhece da faculdade.

Mas o candidato não se tranquiliza. Pergunta após pergunta, suas respostas se alternam entre erros, dúvidas e atrapalhações. Em síntese, os acertos pouco repercutem.

A ansiedade do candidato é tamanha que sensibilizava os demais concorrentes e público presentes à sessão. Aqueles que o conhecem e sabem da sua capacidade e dos seus esforços parecem não acreditar no que está acontecendo.

Então, recebendo a informação de que dispõe de três minutos para concluir a resposta à última pergunta, o candidato, notando que a sua situação fica muito difícil, resolve encerrar as suas razões de forma muito peculiar. Faz, então, um perspicaz requerimento:

- Aos examinadores, peço minhas sinceras desculpas pelo meu nervosismo e inexperiência. Ao professor Noé, registro o meu agradecimento pelo seu carinho nesse momento tão difícil, na esperança de que, tal como ocorreu com o personagem bíblico cujo nome nosso mestre tão dignamente honra, embarque mais um animal na arca desta disputa.

Foi reprovado!
 

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