Sexta-feira, 24 de Outubro de 2014

Contador de causos

O professor Noé, a arca e o embarque do burro

Contador de causos   |   Publicação em 07.08.12

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Esta é daquelas histórias que muita gente vai até duvidar da veracidade, mas que também por isso – ou talvez justamente por isso - merece ser contada.

Prova oral de um concurso para ingresso no Ministério Público. Composta a banca examinadora, o candidato que recebera a nota mais elevada na prova escrita e que era o terceiro melhor colocado na pontuação geral passa a ser arguido e, já de início, demonstra seu nervosismo. Empaca ao responder a um questionamento sobre as prerrogativas do promotor.

A banca é presidida por um notório procurador de Justiça, que fora professor de Direito Penal do candidato, na faculdade. É pessoa de fácil trato e que, como docente, jamais economizara esforços para dividir seus amplos conhecimentos jurídicos.

Percebendo a dificuldade de seu ex-aluno, o presidente da banca lhe diz:

- O senhor fique à vontade, está entre conhecidos e não temos pressa. Ademais, o professor e o examinador são o mesmo Noé que o senhor conhece da faculdade.

Mas o candidato não se tranquiliza. Pergunta após pergunta, suas respostas se alternam entre erros, dúvidas e atrapalhações. Em síntese, os acertos pouco repercutem.

A ansiedade do candidato é tamanha que sensibilizava os demais concorrentes e público presentes à sessão. Aqueles que o conhecem e sabem da sua capacidade e dos seus esforços parecem não acreditar no que está acontecendo.

Então, recebendo a informação de que dispõe de três minutos para concluir a resposta à última pergunta, o candidato, notando que a sua situação fica muito difícil, resolve encerrar as suas razões de forma muito peculiar. Faz, então, um perspicaz requerimento:

- Aos examinadores, peço minhas sinceras desculpas pelo meu nervosismo e inexperiência. Ao professor Noé, registro o meu agradecimento pelo seu carinho nesse momento tão difícil, na esperança de que, tal como ocorreu com o personagem bíblico cujo nome nosso mestre tão dignamente honra, embarque mais um animal na arca desta disputa.

Foi reprovado!
 
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Marco Antonio Birnfeld formou-se advogado em 1971, pela PUC-RS. Foi em 1983 o primeiro juiz leigo dos Juizados Especiais de Porto Alegre, na época chamados de Juizados das Pequenas Causas. Atuar ali (graciosamente) significava "prestar relevante serviço público". Em um ano na função, alcançou o expressivo índice de 82% de conciliações.

Em 1º de janeiro de 2014 completou dez anos de exercício no cargo de conselheiro seccional da OAB-RS - mandatos alcançados em quatro eleições sucessivas.

Abandonou a Advocacia contenciosa em 2012, decepcionado com "o crescimento jurisdicional da estagiariocracia". Reside à beira-mar em Itajaí (SC), mas mensalmente está em Porto Alegre, para atender compromissos com a Ordem gaúcha.

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